23 dezembro 2009

Bom, já não escrevia no blog a muito tempo, mas como entrei em férias agora tenho mais tempo livre para escrever. Estava com saudades de poder escrever com liberdade, escrever aquilo que me viesse a cabeça, algo que não fosse um trabalho acadêmico, nem um texto para panfleto, site ou discurso do DCE.
Na verdade tinha até esquecido como escrever sem compromisso pode ser bom. Ainda estou sem um tema especifico para escrever, mas espero ter alguma idéia para os próximos dias.

Boas Festas a todos!!!!

21 setembro 2009

O Esporte na Universidade


Como anda o esporte na UFSC? Quem pratica?


O esporte é esquecido e tido como secundário na vida universitária. Tentando dar um primeiro passo para mudança desta conjuntura, a Coordenação de Esportes do DCE - Luis Travassos chama toda a comunidade acadêmica para o Debate: Esporte na Universidade. O intuito é de debater sobre a estrutura universitária para a prática desportiva, assim como a cultura universitária que marginaliza o esporte na UFSC. Para assim apontar algumas formas de reavivar o esporte como parte integrante da formação de qualquer individuo como ser histórico e social.


Dia 23/09 (Quarta-feira)

Local: Auditório do CDS

Horário: 18:30


Convidados:


- Paulo Capela - Professor do Departamento de Educação Física da UFSC;

- Manuel Rebelo - Presidente da Federação Catarinense de Desporto Universitário (FCDU);

- Nilson Ouriques - Professor de Educação Física da Unoesc/Joaçaba, Mestre em Sociologia Política pela UFSC;

- Paulo Macedo - Representante da Coordenadoria do Apoio ao Esporte da UFSC, Responsável por eventos esportivos na Universidade.


DCE - Luis Travassos

Gestão Boas Novas 2008-2009

www.dce.ufsc.br

contato.boasnovas@gmail.com

09 setembro 2009

Dia da independência!

No dia 07 de setembro se comemorou mais uma vez o dia da independência. Que hipocrisia! O mais engraçado é que desde o ensino fundamental se aprende que um certo português, com o mesmo nome deste que os escreve, num belo dia, às margens do rio Ipiranga declarou a independência do Brasil com relação a sua metrópole, Portugal.

Agora, avaliamos a situação incoerente: um português, que por sinal era herdeiro do trono de Portugal declara a independencia brasileira?!?! Não houve nenhum tipo de mobilização, nenhum conflito, o povo mal sabia o que estava acontecendo, quanto mais tinha alguma participação naquilo. Mesmo assim comemoramos o dia da Independência.

Digo mais, a independência que o Brasil tem desde aquela data até os dias de hoje é questionável. Afinal somos dependentes economicamente, tecnologicamente e até na ideologia. No campo das idéias importamos da Europa, dos Estados Unidos e demais países, mas não criamos nosso pensamento a partir de nosso contexto, de nossa realidade, de nossa cultura e história.

Dia da Independencia! HIPOCRISIA!

P.S.: Estou de mau-humor

02 setembro 2009

Chomsky: a liberdade de expressão é propriedade das corporações midiáticas.

Não estou conseguindo escrever periodicamente no blog, então resolvi colar outro texto interessante que encontrei no Blog do Turquinho. Fala sobre a livre expressão e a mídia estadosunidense, mas leva a nós pensarmos se o Brasil não funciona da mesma maneira.

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Caracas, 25 Ago. ABN.- Se bem que a liberdade de expressão foi uma conquista dos estadunidenses nos anos 60, hoje está sob o controle de grandes corporações midiáticas que pertencem aos que ostentam o poder econômico.

A premissa pertence ao ensaísta e linguista norte-americano Noam Chomsky, que na segunda-feira passada ofereceu uma conferência magistral na Sala Ríos Reyna, do Teatro Teresa Carreño, em Caracas.

"Nos Estados Unidos o sistema sócio-econômico está projetado para que o controle dos meios esteja nas mãos duma minoria, dona de grandes corporações (...) e o resultado é que sob omanto da 'liberdade de expressão' estão sempre os interesses financeiros desses grupos".

Destacou que as corporações midiáticas são especialistas em desviar a atenção dos grandes temas para centrar a opinião pública em questões como a moda ou o espetáculo em diversos momentos da conjuntura.

Apesar disso, ressaltu que os meios foram os responsáveis pela vitória do atual Chefe de Estado norte-americano Barack Obama, o que, a juízo de Chomsky, contribuiu para a crescente decepção que rodeia o mandatário, porque chegou à presidência sob um lema publicitário que carecia de discurso político.

"Esta decepção com Obama era previsível. Seu lema de campanha foi 'mudança e esperança', mas nunca especificou em que sentido e isso é o que eles sabem fazer, mercadejar os candidatos da mesma maneira que promovem um pasta de dentes", disse o intelectual estadunidense.

Por isso, Chomsky agregou que para falar de liberdade de expressão, os Estados Unidos devem passar obrigatoriamente por permitir o uso dos meios sem que a mão dessas corporações maneje o conteúdo do discurso.

Essa postura foi respaldada pelo economista Michael Albert, que acrescentou que exercer o direito a expressar-se sem restrições nos Estados Unidos implica necessariamente a luta contra as grandes corporações midiáticas que têm o poder sobre o que transmite através da televisão, da rádio e da imprensa.

"A liberdade de expressão é um importante valor para a sociedade norte-americana (...) Mas o que não se adverte é que os que creem exercê-la na plenitude, o fazen sob os desejos dos donos do império midiático e isso em definitivo não é liberdade", sentenciou.

Fonte: Agencia Bolivariana de Noticias

21 agosto 2009

Apartidário ou anti-partidarismo?

Um dos principais discursos do DCE, gestão Boas Novas, confunde-se muito com o anti-partidarismo. Mas há um equívoco grande nessa confusão e eu vou tentar explicar o por quê.

Existe a comprensão de que as pautas estudantis devem surgir dos estudantes e não do comitê central de um partido, que nada conhece da realidade cotidiana destes estudantes, por mais que tenha a compreensão da conjuntura nacional da educação. No entanto, isto não significa que os partidos não possam ter sua importancia.

Manuais não só de partidos e outras organizações políticas, como de diversos campos da ciência, são formas de imposição de um pensamento que pouco relaciona com a realidade local, como também não faz com que haja a produção intelectual no ambiente local. Para quem viu o filme "Che - O Argentino", pode ver um exemplo disso, pois Che nega a ajuda de cartilhas soviéticas para uso de formação, pegando os livros originais para estudo a serem usados para a compreensão da realidade cubana, que por sinal era muito diferente da russa.

Alguém pode estar se perguntando pra que toda essa volta na discussão? Bem, é só para salientar a importancia da existência de um DCE independente, que faça as suas atividades pautadas na realidade do estudante. Porém isso não significa que condenamos qualquer movimentação partidária, tanto é que algumas vezes nossa gestão se envolveu com partidos e organizações políticas para tocar algumas atividades e reinvindicações que eram pertinentes aos estudantes da UFSC.

"Então, significa que existem partidos bons?"

Eu respondo: Quase! Existem oportunidades em que podemos tocar pautas junto a alguns partidos. Porém no Brasil, hoje, não existe alternativa partidária que represente a idéia que defendi algumas vezes aqui nesse blog e que defendo no meu cotidiano de militancia. O Brasil apesar de ter inúmeros partidos, poderiam ser encaixados em poucos grupos. Sendo que nenhum destes tem viabilidade de implantar um projeto de nação que tire o Brasil do subdesenvolvimento e liquide com a desigualdade social.

* Foto do MPL do Distrito Federal vinculado no site do CMI Brasil.

17 agosto 2009

Os Latifúndios da Informação

Bom, hoje vou fazer algo diferente, vou apenas colar um texto em que li em outro blog, com sua devida fonte.
Muito se fala do autoritarismo de Hugo Chavez, como de outros governos progressistas da América Latina e algumas atitudes destes, que segundo nossa mídia seriam anti-democráticas. Pois muito bem, para esclarecer alguma destas questões resolvi postar um texto vinculado no Blog do Turquinho. Eu não poderia escrever melhor.
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Do blog Velho Comunista

Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel

Na América Latina, alguns grupos e famílias poderosas controlam a mídia, fechando e bloqueando o espaço político e democrático. Uma hegemonia que os governos progressistas eleitos democraticamente querem atacar em profundidade.


No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.

A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de Estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza freqüentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura, ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando na Argentina Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria à herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?

A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga, Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo, o mesmo ocorre na Colômbia onde opera a família Santos da qual dois de seus membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010). Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.

Na Venezuela, durante o último referendum que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo contra 22% favorável ao “sim”, "não", que finalmente ganhará. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe de Estado contra o presidente Chávez em 2002. Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia à oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno aos candidatos da direita antes de apoiar ao socialdemocrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava a Evo Morales ou a Rafael Correa. Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual que pertence 85% aos grupos privados foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar as taxas de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo Mercurio no Chile em 1973, incitando e apoiando o golpe de Estado do general Pinochet.

Em resposta, Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.

Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendum popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo freqüentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.

Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição á vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em L'Humanité

12 agosto 2009

Calourada 2009.2

A UFSC voltou as aulas, mesmo com a epidemia de gripe suína. Mas esse não é oassunto em quero tocar. O DCE assim como no primeiro semestre esta promovendo a Calourada 2009.2, que na primeira semana foi preenchida com atividades culturais e esportivas, sendo que esta semana o calendário tem prioridade para debates sobre questões nacionais, como a crise; a questão do pré-sal e a soberania nacional; e sobre o SUS.

Apesar de a Calourada ser uma recepção aos calouros, ela também é feita para todos os estudantes desta universidade. O principal ponto que levantamos com estes eventos é demonstrar para toda comunidade acadêmica que a Universidade não deve se restringir a sala de aula. O espaço da instituição proporciona a possibilidade de construirmos muitas outras atividades que também servem de formação. E é por isso que nesse momento temos cultura, espaços de integração, espaços para discussão e debate de assuntos pertinentes a nossa sociedade, pois como já falei em outros posts, a formação educacional não deve se restringir ao conteúdo das ementas.

Queria chamar atenção para um dos eventos da Calourada em que eu ajudei na sua construção, o Tour Histórico. Na Quarta-feira passada levamos algumas turmas de calouros num passeio para conhecer a UFSC e foi muito legal, pois a maioria das pessoas passam pela Universidade sem a conhecer a História desta. Nosso campus é cheio dos monumentos históricos e quase ninguém sabe o por quê eles estão ali. Se eu conseguir organizar, esquematizo a Tour num texto para o Blog.

Para quem sentiu saudades, voltei a escrever... hehe

12 julho 2009

Estudantes merecem respeito!?!

Não consegui postar nada antes pois estava primeiro, muito atarefado com o relatório final do estágio e depois por que fiquei doente. Mas estamos aqui de volta.

Durante a semana que passou, ocorreu a reunião ordinária da Câmara de Ensino e Graduação da UFSC, na qual faço parte como representante estudantil. A Câmara é orgão que aprova mudança nos curriculos dos cursos, abertura de novos cursos, os PPP, a forma do vestibular e outras coisas menos importantes. Mas não bem sobre isso que eu gostaria de falar. Nesta reunião repetiu algo que eu venho presenciando desde que entrei na UFSC e com mais intensidade esse ano que estou no DCE, os professores no geral não acreditam em projetos e atividades tocados pelos estudantes.

Existe uma cultura de que estudantes só querem fazer festa e que não levam as coisas muito a sério. Na UFSC mesmo, existem diversos exemplos de eventos acadêmicos tocados pelos estudantes que deram certo. Semana que vem acontecerá o ENECO (Encontro Nacional dos Estudantes de Economia) na UFSC, que terá palestrantes de renome internacional, tem previsão para mais de 2000 mil pessoas e foi construído por estudantes. Porém quando os estudantes de economia procuraram os diretores e reitoria para conseguir a estrutura necessária para o evento esbarraram, num primeiro momento, nesse preconceito de que estudante não faz nada sério. Foi através de muito empenho que eles conseguiram que liberassem os auditórios para as palestras, os ginásios para alojamento e o restaurante para as refeições.

O ENECO foi só um exemplo, as vezes a descrença fica em coisas muito mais simples como montar um torneio intercursos, produzir um festival de música ou até na hora ter que escrever um parecer sobre um processo da Câmara de Ensino e Graduação.

Quem sabe se os estudantes tomassem as rédeas dessa Universidade as coisas funcionavam muito melhor!

03 julho 2009

Profissão de professor em nosso país.

Outro dia escutei de uma professora de ensino básico o seguinte "o professor está desvalorizado e desrespeitado, para escolher essa profissão só com muito amor ou muita necessidade, lecionar não está sendo só um desafio está sendo confrontar com uma guerra".

Realmente o professor em nosso país é desvalorizado. É a profissão que eu escolhi para mim, mesmo sabendo que tal profissão deveria ser melhor remunerada e dada mais atenção. Porém o problema da docência não esta só na baixa remuneração destes profissionais, mas na sua formação. Cada vez mais os cursos de licenciatura são tratados como secundários (chegando ao ponto de questionarem seu lugar nas universidades), de formação técnica, ensinando a como passar a matéria estabelecida pelos currículos do MEC, sem que este tenha formação necessária para entender todo o significado de se educar e formar pessoas. Aqui na UFSC, algumas das licenciaturas não conseguem nem completar o número de vagas oferecidas, com indices no vestibular de 0,8 por vaga.

Nesse sentido discordo um pouco da professora citada a cima, escolhi a profissão de professor nem por amor, muito menos por necessidade. Se fosse por necessidade, estaria fazendo um outro curso que pudesse me garantir um futuro melhor. Quanto ao ser "professor por amor", me desculpem os pedagogos, mas tem muitos por ai que fazem o curso por amarem as crianças. Isto não pré-requisito para se tornar professor. Esta profissão tem por objetivo a formação de cidadãos, que possam ter um emprego e ter o conhecimento mínimo para se tornarem sujeitos críticos e donos de sua própria história (Futuro professor de História).

Minha opção pelo curso de História é um pouco idealista. Vejo na educação, o ponto chave para um projeto de nação mais igualitária, que vença o subdesenvolvimento e seja independente não só economicamente, mas também culturalmente e tecnologicamente.

29 junho 2009

Novembrada e a criminalização dos movimentos sociais

Como a próxima edição do Canudo (jornal do DCE) vai sair só no próximo semestre, vou adiantar meu artigo sobre a Novembrada e a criminalização dos movimentos sociais aqui no blog. Vai ficar um pouco fora de contexto, já que na próxima edição do Canudo segue outro artigo completando o assunto.


E a história continua.....


Em 30 de novembro de 1979, o então presidente João Batista Figueiredo, faz uma visita a Florianópolis com a intenção de inaugurar uma placa de bronze homenageando o marechal Floriano Peixoto. A placa deveria ser colocada na praça XV de Novembro, em frente ao Palácio do Governador, onde hoje fica o museu Cruz e Souza. Figueiredo só não sabia quais seriam as conseqüências deste ato.

Antes da ilha de Santa Catarina chamar-se Florianópolis, era conhecida por Nossa Senhora do Desterro. Só após as tropas de Floriano Peixoto derrotarem os federalistas, o governador Hercílio Luz renomeou a cidade em homenagem ao marechal. Parafraseando Franklin Cascaes, como poderia o nome da cidade ter origem no nome do homem que mandou matar tanta gente que aqui morava?

Assim pode-se entender o por quê da revolta da população florianopolitana quanto à inauguração de uma nova homenagem ao marechal Floriano. Porém somente isto não justifica a Novembrada. O Brasil estava numa profunda crise econômica, a inflação aumentava mais a cada dia, a ditadura e a repressão existiam há 15 anos. A placa de bronze foi apenas o estopim. Figueiredo vinha a Florianópolis na tentativa de construir a imagem de um presidente mais próximo da população e de que o regime estava em fase de mudança.

O Diretório Central dos Estudantes Luís Travassos, ao saber da vinda do presidente, organizou uma mobilização. Enquanto Figueiredo chegava ao Palácio do Governador, na praça XV de Novembro estudantes distribuiam panfletos denunciando as verdadeiras práticas do governo. Em meio a palavras-de-ordem e fugas da polícia, a população se juntou aos estudantes. A multidão arrancou a placa, símbolo do governo militar.

Nesse dia, sete estudantes foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional, segundo o decreto lei nº 848, que transformava a doutrina de segurança nacional da ditadura em legislação. Era considerado crime passível de exílio e a pena de morte, casos de “guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva”. O governo repreendia qualquer opinião antagônica a sua, combatendo duramente os movimentos sociais, o que fica claro no Art. 2° deste decreto “A segurança nacional a garantia da consecução dos objetivos nacionais contra antagonismos, tanto internos como externos.”

A Novembrada tornou-se um exemplo para o resto do país, diversas revoltas aconteceram contra o regime nos anos seguintes, articulando o movimento que ficou conhecido como Diretas Já. A ditadura foi derrotada, com isso a democracia se estabeleceu e a finalmente conquistou-se o direito à livre expressão. Porém muitas vezes a “liberdade” não é o que parece: assim como os estudantes que protestaram em 1979 foram presos e reprimidos por exigirem do governo melhores condições de vida à população, atualmente quando o movimento estudantil vai às ruas para reivindicar melhorias no transporte público, como na revolta da catraca em 2005, ele é combatido. Quando estudantes mobilizados exigem da administração central da universidade respostas imediatas à questão precária da bolsa de “treinamento”, na qual muitos estudantes tem seu único sustento, são tratados como criminosos e levados a julgamento.

26 junho 2009

Descrença no movimento estudantil

Ontem, aconteceu a eleição para CALH (Centro Acadêmico Livre de História) da UFSC, o baixo número de votantes no curso, demonstra uma realidade na universidade, o não interesse pelo ME (movimento estudantil), mesmo em um curso que historicamente se envolve com movimentos sociais, já que desenvolve diversas pesquisas na área.
Infelizmente, há uma descrença na política estudantil por parte dos estudantes do meu curso, parte disso deve-se as práticas vanguardistas de alguns grupos que disputam esse espaço. Uma prova do que estou falando é uma das chapas que concorreram, a "Chapa do Cenoura", grupo que chacoteia o espaço do CALH e suas práticas esquerdistas que pouco se envolvem com o estudante em sala de aula.
As outras duas chapas tinham em seu corpo figurinhas carimbadas do ME, a chapa "Semeando outros tempos" tinha como integrantes pessoas filiadas ao PSTU, que eram mebros da gestão anterior, e a chapa "Estudantes com suas próprias idéias" tinha membros de antigas gestões do CALH. O que parece não ter empolgado a estudantada, pois apesar de apresentarem idéias relativamente novas ao CALH, representavam a "mesmice" da política do Centro Acadêmico.
Não estou dizendo que estes grupos, não tenham razão nas suas "lutas". Porém sua prática e seus métodos pouco envolvem o estudante médio (aquele que esta na faculdade apenas para estudar), pois seu discurso esta muito longe dos estudantes, falando sobre questões que parecem muito distantes a um CA.
A reconstrução do ME não conseguirá se dar apenas no discurso, deve procurar novos caminhos, o movimento deve partir da sala de aula, dos próprios estrudantes, fazendo-os perceber a importância de sua participação nos problemas do curso e educação. Mas esta percepção não deve ser imposta por um vanguardismo de esquerda, como tantas vezes é tentado, mas deve surgir da realidade prática destes estudantes.
Algo que surge dos problemas vivenciados no curso.

24 junho 2009

5 anos da Revolta da Catraca

Em 2004, em Florianopólis, ocorreu o manifesto conhecido por "Revolta da Catraca", quando estudantes saíram as ruas exigindo a tarifa zero, após o aumento de 15,6% da tarifa, autorizado pelo Conselho Municipal de Transportes em 22 de junho daquele ano. As manifestações que colocaram milhares de pessoas nas ruas conseguiram barrar o aumento da tarifa, porém a partir de 2006, este aumento vem sendo colocado gradativamente em pequenas parcelas (muito a cima da inflação), normalmente no período de férias escolares, quando a mobilização estudantil é muito difícil.
O transporte coletivo de Florianopólis esta nas mãos da Cotisa (Companhia Operadora de Terminais de Integração S/A). A empresa ganhou a licitação em 2002 para implantar e gerir o Sistema Integrado de Florianopólis.

E qual seria o problema nisso?
O transporte coletivo deveria ser público, estamos falando no direito de ir e vir. O transporte esta ligado a educação, emprego, saúde, lazer e tudo mais aonde precisa-se locomover para termos acesso. Ele não pode estar ligado a busca pelo lucro, pois faz parte dos serviços básicos a população. Assim as pautas revindicadas na Revolta da Catraca, ainda são pertinentes, principalmente a municipalização da Cotisa e a implantação da tarifa zero.
Entendendo isso e diversos outras questões que envolvem o transporte florianopolitano, convido as pessoas interessadas, a participar do evento que ocorrerá entre 26 de junho e 3 de julho o evento "Construir a Memória da Resistência - V anos da Revolta da Catraca" no auditório do SEEB – Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região, sempre às 19hs.
O evento é aberto a todos que quiserem participar e gratuito.
Mais informações:
- http://revoltadacatraca.wordpress.com
- http://www.dce.ufsc.br