04 março 2011

Ensino de História

Tenho deixado o blog de lado, mas agora que estou trabalhando como professor de história pretendo dividir algumas das minhas experiências aqui no blog.


No ensino básico, a disciplina de História costuma ter como matéria o estudo do passado. Esquece-se que o presente também faz parte da História, que tudo aquilo que vivemos e presenciamos influência de algum modo os rumos da história da sociedade em que vivemos. Por isso as turmas do segundo ano da Escola Maria José Barbosa (CEMAJOBA), da cidade de São José - SC, estão pesquisando sobre acontecimentos recentes, com objetivo de entender a relevância histórica de tais fatos.


Como as apresentações das pesquisas serão apresentadas de forma lúdica e criativa, alguns desses trabalhos serão postados aqui neste blog como forma de divulgar tais pesquisas. O objetivo das apresentações serem feitas de forma criativa é o de demonstrar que a sala de aula não precisa ser apenas aquele local chato onde o professor vai para passar matéria no quadro e explicar tudo o que os alunos devem aprender, possibilitando o entendimento por parte dos estudantes de que aprender pode e deve ser algo, também, divertido.

Para incentivar tal iniciativa, para que o estudo de atualidades não seja esquecido na disciplina de História, nem mesmo se esqueça que existem outros meios de aprendizado além da aula expositiva alguns desses trabalhos estarão sendo divulgados no blog: http://historia2cema.blogspot.com

24 setembro 2010

Reflexões sobre o voto!

Falta um pouco mais de uma semana para as eleições brasileiras. Ainda falta decidir em quem votarei para deputado estadual e governador, no entanto andei reparando em algumas coisas que me fizeram refletir com ajuda de alguns amigos.

Muita gente, vai escolher em quem votar pelo indivíduo que esta se candidatando, independente do partido pelo qual se candidatam. No meu entendimento isto é um erro, se candidato x ou y é do Democratas ou do PT, é por que ele esta defendendo certo conjunto de práticas e idéias, de projetos para o Brasil e/ou Santa Catarina, elaboradas a partir de uma ideologia. Os partidos tem seus aliados, sejam outros partidos, sejam aqueles que financiam a sua campanha. Isto acontece pois existe um acordo, mesmo que informal, entre estes para que se eleitos façam algo de interesse dos mesmos.

É por esse motivo que tenho a tendência a votar nos candidatos do PSOL para outros cargos, além do Plínio. Mesmo sabendo que muitos desses candidatos são quadros políticos ruins, são estes que estão defendendo o projeto político que o PSOL defende, o mesmo projeto que Plínio defende em campanha, o mesmo que eu decidi apoiar.

Esta um pouco confuso, eu sei. Espero estar conseguindo passar o recado.

Algumas pessoas podem dizer que alguns partidos não são homogeneos e por isso escolheram um candidato de partido x, pois este é diferente de outros. Bem, é verdade que muitos partidos não são homogeneos. Alguns (caso do PMDB) fazem coligação com um partido em nível nacional e faz coligação com a oposição deste em nível local. No entanto, isto ocorre por interesses regionais diferentes, mas que no entanto não modifica quase nada a sua prática política. Há ainda os partidos que são formados por correntes (caso do PT), que em alguns casos existe rixas fortes intrapartidárias. Só que quando estes estiverem no governo, no parlamento ou seja lá qual o espaço, defenderam a pauta do seu partido, de sua bancada, de seu grupo político.

São apenas reflexões, sem muito rigor.


17 setembro 2010

10 obras literárias que todo historiador deveria conhecer!

Bem, quase desisti de fazer esta lista de 10 livros literários. Existe muita coisa importante que sei que esqueci, deixei de lado, além de que não sabia direito que critérios usar para escolhe-los.

Acabei por escolher livros que acho interessante para o ensino de história, mas mesmo assim ficou sem critérios bons para escolhe-los. Deixei muitos livros de lado, que sei que ainda tenho que ler, mas como não conheço direito preferi não colocar na lista.

Como a lista anterior, ela esta totalmente aberta a sugestões e não é definitiva.

10 obras literárias que todo historiador deveria conhecer:

- 1984 (George Orwel); Eric Burton Blair (verdadeiro nome de Orwell) era um trotskista inconformado com os rumos do socialismo soviético e a centralização do poder de Stálin. Neste livro ele retrata uma distopia sobre um regime totalitário, centralizado nas mãos do "Big Brother", que além de ser uma caricatura de Stálin, também foi baseado nas figuras de Hitler e Churchill.

- O Coronel em seu Labirinto (Garcia Marques); Conta a história dos últimos dias de vida de Simon Bolívar.

- Canto Geral (Neruda); A história política e social da América Latina.

- Rei Lear (Shakespeare); Não é uma das obras mais conhecidas de Shakespeare, mas por se basear em histórias antigas do folclore anglo-saxão, onde se mostra algumas questões de como funcionava o regime feudal e da hereditariedade familiar dos reinos, torna-se um livro interessante para qualquer historiador. Assim como outras obras de Shakespeare.

- On the Road (Jack Kerouac); Importante livro que influenciou mais de uma geração. Essencial para entender o Movimento Beat, os Hippies, o Rock and Roll e toda a Contracultura da década de 60.

- 1968: O Ano que não Terminou (Zuenir Ventura); Ventura narra a história e os acontecimentos entre a intelectualidade da juventude en torno do AI-5. Retrata o Movimento Estudantil crescente nesse período, marcado pela o autoritarismo da ditadura.

- A Rosa do Povo (Carlos Drummond de Andrade); Poeta modernista, que através da poesia falava sobre dos dilemas enfrentados pelo povo brasileiro.

- De Vagões e Vagabundos (Jack London); Crônicas escritas por London - mais conhecido por suas histórias com a natureza - mas que nesse livro retrata a vida urbana do começo do século XX. O trabalho alienado e repetitivo, as baixas condições de trabalho, a dificuldade nas grandes cidades, a vida de vagabundos e a repressão que esses sofriam por não serem dignos trabalhadores.

- O Nome da Rosa (Umberto Eco); Escrito por um historiador, é um livro de suspense que gira entorno de uma abadia católica e retrata o período das luzes por dentro da igreja. É interessante para discutir como a escrita da História pode ser manipulada para certos poderes.

- Maíra (Darcy Ribeiro); Indígena levado ao sacerdócio por um padre e questionador de sua fé. antropologo demonstra o choque de culturas.


Eu sei! Está longe de ser uma lista ideal!

16 setembro 2010

10 livros que todo historiador deveria ler!

Dias atrás o twitter da @redehistorica perguntou qual seria os 10 livros que todo historiador deveria ler. Isso foi motivo de algumas conversas entre meus amigos historiadores. Infelizmente, como estava sem internet, não pude fazer minha contribuição de forma adequada, mas fiquei pensando nisso.

Cheguei a conclusão de que uma lista de livros, como o @redehistorica propunha não era suficiente. A formação de um historiador vai muito além de livros sobre história, de pesquisa científica, já que somos profissionais da educação (em grande parte). É interessante que pensemos em outros meios de aprender, que não só através dos livros de história, que em geral, são prolixos e densos. Por isso, pretendo trazer duas listas: uma com a proposta inicial e uma segunda com os 10 livros de literatura que todo historiador deveria ler e conhecer. Mas a segunda fica para outro momento.

Ah.... não colocarei os livros em ordem de importância, apenas citarei 10 e direi o motivo pelo qual eles aparecem na lista. Já é dificil ter que escolher dez, seria mais dificil herarquiza-los. A lista será feita para um historiador brasileiro.

10 livros que todo Historiador deveria ler:

- O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro); Entre os livros que falam sobre a história da formação do povo brasileiro nesta lista é o menos conhecido entre os historiadores. Mas nem por isso é menos importante. Escrito por um dos maiores antropologos brasileiros, Darcy Ribeiro, a obra trata de uma teoria de um povo miscigenado e de como deu toda sua formação através de 3 etnias: a indío, o negro e o português.

"Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes. A urbanização contribuiu para uniformizar os brasileiros, sem eliminar suas diferenças. Fala-se em todo o país uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais. Mais do que uma simples etnia, o Brasil é um povo nação, assentado num território próprio para nele viver seu destino."

- Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Hollanda); Quase unanimidade entre os historiadores, raízes do Brasil trata de nossas origens e da formação de uma nação. Livro indispensável para qualquer historiador brasileiro, que deveria ser incentivado em todas escolas de ensino médio para sua leitura e estudo. Diferente da obra de Darcy Ribeiro, que aborda mais os aspectos culturais do Brasil da cultura indígena e negra, "Raízes do Brasil" trás a herança na colonização portuguesa.

- Casa Grande e Senzala (Gilberto Freyre); Outra obra que deverá estar em quase toda lista de historiadores, fala sobre escravidão e a relação de trabalho no período colonial. Assim também, fala sobre de como a cultura africana participou na formação de nosso país e de nosso povo. Através de como se estrutura a Casa Grande, ele demonstra a construção a divisão social do Brasil Colônia, que tem desdobramentos até os dias atuais.

- A Formação da Classe Operária Inglesa (Edward Thompson); Importante obra marxista do século XX, que trouxe uma visão mais ampla das relações de trabalho, que não girassem apenas em volta do economicismo, característico de grande parte das obras marxistas. Principal livro para conhecer o que é história social.

- Concepção Dialética da História (Antonio Gramsci); Pouco lido no curso de graduação de História da UFSC, Gramsci trás uma releitura marxista da história da cultura (Contraposição a Escola de Frankfurt e dos pós-modernos, muito utilizado nas ciências humanas). Importante livro para entender a dialética na experiência histórica.

- Apologia da História ou O ofício do historiador (Marc Bloch); Divisor de águas na historiografia. Quebra com o positivismo, com a história linear de causa-consequência.

- História da sexualidade (Foucault); O debate do que é cultural e do que é natural, é sempre muito fecundo entre os historiadores. Foucault demonstra como até mesmo, aquilo que o senso comum vê como natural ao ser humano, tem suas raízes na História, como construções culturais. Foucault têm vários defeitos, mesmo assim é importantíssimo para entendermos a história da humanidade em sua totalidade. Mesmo negando o marxismo até sua morte, ele tem muitos aspectos dos melhores marxistas. Talvez esse não seja o melhor livro dele para colocar entre os 10, porém foi o que eu li.

- A Era das revoluções (Hobsbawn); Obra importante para se ter na estante. Hobsbawn faz uma apanhado geral sobre as revoluções de 1789 a 1848, demonstrando como as Revolução Francesa, Revolução Industrial e o Manifesto Comunista modificaram visões de mundo e reestruturaram a ciência, a filosofia, a moral e diversos aspectos da sociedade contemporânea. Toda a obra de Hobsbawn pode ser considerada uma enciclopédia histórica, porém ainda uma perspectiva eurocêntrica.

- Nuestra América (José Martí); Martí, Chê, Bolívar, Mariategui e vários outros latino-americanos são importantíssimos para conhecermos a história deste continente. A escolha de Martí para a lista, foi por ele conseguir apresentar com maior embasamento (e uma leitura agradável) a formação da América Latina, a que ele chama de "Nuestra América".

- Ideologia Alemão (Marx e Engels); Antes de ler a coleção Primeiros Passos para entender o que é dialética, nada melhor do que ler na fonte primária. Marx aqui, trás a discussão de uma dialética abstrata, produzida pelos jovens hegelianos e uma dialética defendida por ele, com embasamento na realidade concreta, que a essência da história esta na atividade humana e sua experiência acumulada.


A lista não é definitiva. Tem muita coisa que eu não li, desconheço e talvez tenha esquecido. Ela tem abertura para receber sugestões.

Logo eu posto a outra lista... Agora vou voltar para meu TCC...

IMPASSE

Hoje a noite, às 19h30, no auditório da Reitoria acontecerá o lançamento do documentário "Impasse". Trabalho de Fernando Evangelista sobre as manifestações contra o aumento da tarifa deste ano. O trailler esta de arrepiar, o documentário deve ser ótimo!


Q

Quem quiser saber mais sobre ele acesse: www.impasse.com.br

06 setembro 2010

ME da UFF e sua vitória a favor de uma Universidade 100% gratuita

Na última semana ocorreu uma das maiores vitorias do Movimento Estudantil, desde que eu estou na Universidade. Só que esta vitória não ocorreu na UFSC, mas sim na UFF (Universidade Federal Fluminense), onde em um pebliscito, com o voto universal, a comunidade universitária decidiu pelo fim dos cursos de pós-graduação pagos na UFF com ampla vantagem na votação.

Qual era o objetivo do Plebiscito?

Para atender ao anseio da comunidade universitária, o Conselho Universitário (CUV) decidiu, em 1998, pela constituição de uma Assembléia Estatuinte,
paritária, com 30 membros de cada segmento, para a elaboração de proposta do
Novo Estatuto da UFF. Decidiu-se que os pontos divergentes entre os textos
aprovados pela Assembléia Estatuinte, com quórum qualificado, e o Conselho
Universitário seriam levados à comunidade universitária, na forma de
plebiscito,
com voto universal, para a decisão sobre a redação final do
Estatuto da
Universidade.¹

O que aconteceu?

Com uma das melhores campanhas que eu já tive notícia (Infelizmente só tenho material impresso no momento) o ME da UFF, com um pequeno apoio de ME de outras partes do Brasil, conseguiu superar a votação do ultimo reitor eleito, O Profº Roberto Salles. Com 13323 votantes, o voto pela universidade 100% gratuita atingiu 11497 votos (86,8%), enquanto o voto contrário ficou em 1751 (13,2%). Quem quiser vver o resultado completo pode ver aqui.

Sem serem dogmáticos, como grande parte do ME de esquerda hoje, a campanha "pela UFF
100% gratuita" soube dialogar com estudantes, servidores e professores. Utilizaram-se toda a criatividade que a juventude pode ter, para fazer seus panfletos, jornais, vídeos na internet e atos. Tudo de forma didática sem ofensas, jargões e clichês. O porquinho, marca da campanha, se espalhou por toda a universidade avisando a todos o que estava em jogo nesse plebiscito.

Só para ilustrar um pouco do que falo aqui esta um dos textos de que falei:

Por que o plebiscito?

Apesar de pública, a Universidade Federal Fluminense tem vários cursos que são pagos. Esses cursos, cujas mensalidades, variam entre R$190 e R$1.800, vêm sendo implementados na UFF há vários anos, sem a menor discussão com a comunidade acadêmica. No ano passado, por proposta do movimento estudantil foi aprovada no Conselho Universitário a realização do Plebiscito.

Professores, estudantes e servidores tem se mobilizado na campanha pela gratuidade em todos os níveis de ensino. Por que?

1) Porque os cursos pagos são ilegais. A Constituição Federal e a LDB instituem que ensino público deve ser gratuito. Com base nesse argumento, o Ministério Público interveio na UFRGS (Rio Grande do Sul) e decretou a extinção dos cursos pagos que existiam lá.
2) Porque com curso pago o estudante paga duas vezes. Todos nós pagamos impostos (altíssimos), o que deveria garantir o direito à educação publica, conforme a constituição.
3) Porque apenas 1,5 % do orçamento da UFF é composto pela receita desses cursos, e, no entanto, o impacto dos mesmos constrói uma lógica de privatização da universidade aos poucos, por dentro.
4) Porque vários professores em regime trabalhista de dedicação exclusiva (DE) dão aula nos cursos de pós-graduação latu-sensu pagos, o que é ilegal.
5) Porque vários departamentos têm deixado de abrir pós-graduações gratuitas e outros vários só têm pós-graduações pagas (Turismo, por exemplo). Os cursos pagos devem ser avaliados e incorporados à UFF gratuita, como ocorreu, por exemplo, na Faculdade de Enfermagem da UFF, que tinha 4 cursos de pós-graduação pagos e hoje têm apenas um, que deve ser incorporado em breve.
6) Porque os cursos pagos têm implementado uma lógica de interesses privados na universidade, na qual um grupo de professores, a partir desses cursos, tem usado a universidade para lucrar milhões.
7) Porque a FEC (Fundação Euclides da Cunha), gestora dos cursos pagos não presta contas e é o centro do que existe de corrupção na UFF, que hoje é investigada pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público por improbidade administrativa, uso de caixa dois, etc…


Infelizmente, tenho pouco material sobre a mesma para mostrar para vocês. Mas só de saber que isso foi possível aqui no ME brasileiro já fico mais contente. Que fique a inspiração para a galera no movimento contra a volta das taxas na UFSC.


¹ Texto retirado do site
http://www.plebiscito2010.uff.br./

29 agosto 2010

Essa semana foi cheia de acontecimentos, alguns remetem a minha vida pessoal. No entanto esse blog não foi feito para mim falar sobre isso e sim sobre questões políticas, vinculadas principalmente com a Universidade. Quem passou pela UFSC essa semana percebeu que havia uma grande movimentação de pessoas diferentes na universidade, devido ao Fazendo Gênero 9; pode ver também na quinta-feira o inicio das mobilizações contra a volta das taxas na UFSC; no fim de semana agora esta acontecendo o 1º festival de Música da UFSC, em comemoração aos 50 anos da universidade; e pra quem não esteve na UFSC, presenciou um fenomeno nos céus de assustar. Vou comentar um pouco cada um desses 4 acontecimentos.

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Fazendo Gênero 9
Provavelmente o maior evento que discute as relações de gênero, organizado pelo Instituto de Estudos de Gênero chegou a sua nona edição, com o tema "Diásporas, Diversidades e Deslocamentos". O evento sempre realizado na UFSC, contou com mais de 4000 inscritos e teve participação de importantes nomes do Brasil e do mundo na área.
Não consegui participar de muita coisa, pois estava trabalhando como monitor do evento. Porém me chamou a atenção a crítica, de algumas pessoas que apresentaram trabalho no evento (Não me recordo do nome de todos, mas tenho anotado no meu caderno se quiserem saber), com a desvinculação dos trabalhos feministas feitos dentro da acadêmia sem qualquer vínculo com a realidade. Num tema que se propõem a pensar e transformar relações sociais, seus problemas e dogmas, é díficil entender como essa desvinculação possa ocorrer. No entanto como em qualquer área do conhecimento, existem aqueles (e não são poucos) que se fecham no seus estudos e pesquisas, dentro dos muros da universidade, pouco resolvendo os problemas a que se propõem a resolver.
Não vou me estender muito nesse ponto, mas pretendo retoma-lo assim que forem publicados os textos apresentados no evento no site do Fazendo Gênero.

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O retorno das taxas administrativas da UFSC
Essa semana ocorreram as primeiras manifestações contra o retorno das taxas administrativas. O DCE lançou carta colocando sua posição, na qual eu compartilho, que segue abaixo:

Na ultima reunião do Conselho de Curadores, realizada no dia 5 de julho, foi aprovada uma resolução normativa que retoma e reajusta os valores das taxas acadêmicas cobradas para emissão de segunda via de diplomas, certificados e histórico escolar; para revalidação de diplomas de graduação expedidos no estrangeiro, reconhecimento de diplomas de pós-graduação no estrangeiro e registro de diploma expedido em outras instituições de Santa Catarina; além da cobrança de taxas para matriculas em disciplinas com reprovação por frequência insuficiente (a chamada taxa de FI) e para matriculas isoladas como aluno ouvinte. A taxa para reconhecimento e revalidação de diplomas é dispensada para servidores da UFSC. O Valor dessas taxas variam entre 50 e 2.000 reais.

A cobrança de diversas taxas havia sido suspensa após ação movida pelo Ministério Público em 2008. Porém em audiência realizada em janeiro desse ano entre o MP e a UFSC foi estabelecido acordo que encaminhava pelo retorno das taxas já citadas.


Decisão fere Constituição Federal.


A decisão tomada pela UFSC fere o principio da gratuidade do ensino público garantido pela constituição federal. Esse artigo tem por base garantir o acesso a educação pública a todas as pessoas independente de suas condições financeiras. A educação pública superior que já é restrita no Brasil, com essas taxas cria mecanismos de se restringir mais ainda àqueles que podem pagá-las, seja no caso da disciplina isolada para aluno ouvinte, no caso da validação de diploma ou mesmo da taxa de FI.

Fica claro a visão errônea da função da universidade, ao fechá-la em si própria, já que cobra valores altos para estudantes poderem assistir disciplinas sem serem alunos da UFSC, tendo que pagar 50 reais, ou cobrar taxas de até 2 mil reais para estudantes validarem seus diplomas, o que não é feito para servidores e professores da UFSC. Não percebem que a função da universidade é voltar-se para seu povo e servir a toda a sociedade e não apenas a professores, servidores e estudantes, que são uma pequena minoria da população brasileira, que fazem parte da comunidade universitária e que deveriam ser os primeiros a buscar romper os muros dessa instituição para compreender a realidade que estudam e transformá-la.


Taxa de FI retorna e tem seu valor aumentado para R$100,00.


Dentre as taxas definidas pela resolução a que gera mais polêmica e discussão é a taxa de FI, cobrada por cada disciplina que o estudante vai se matricular que tenha rodado anteriormente por frequentar menos de 75% das aulas. A imposição dessa taxa pela administração da UFSC é baseada na própria necessidade da frequência, necessária de acordo com essa administração, para justificar os custos da universidade com o estudante.

O problema essencial dessa taxa e a discussão central está na insistência da necessidade da frequência obrigatória. Ou seja, acreditam que o aluno é incapaz de definir os rumos de sua própria formação profissional e humana e discernir se essa se dará em sala da aula ou frequentando grupos de estudos, palestras, debates, etc. Em uma universidade no século XXI insistir na necessidade da frequência obrigatória é um atraso gigantesco. Essa só é justificada para garantir que haja alunos assistindo a aulas que não contribuem para sua formação, pois do contrário, isso por si só já faria o estudante frequentar a aula. É fato que as melhores aulas não necessitam de chamada para que os alunos continuem frequentando a aula. A cobrança da taxa de FI erra ao não combater e nem ao menos analisar a causa das faltas, seja ela por problemas pessoais, como a impossibilidade de conciliar trabalho e estudos, ou por problemas curriculares, que geram a incapacidade do aluno de acompanhar uma disciplina se não teve uma base sólida nas disciplinas anteriores. Para piorar recorrem a uma mera punição financeira, que afeta diferentemente o bolso de cada estudante dependendo de sua renda, alem de ser pedagogicamente atrasada, já que é uma punição nada educativa, pois não incentiva a ampliação da formação do estudante, como seria o caso se no lugar da taxa fosse cobrado, por exemplo, a ampliação do tempo de formação extra-curricular para compensar o FI.


O DCE está entrando com ação judicial para reverter essa situação, mas isso não basta. É preciso que todos discutam e se posicionem sobre esse assunto. Por isso participem dos atos nos dias 26 de agosto e 2 de setembro, com concentração no RU e da Assembléia Geral dos Estudantes da UFSC no dia 2 de setembro, no hall da reitoria, por volta das 12:30.



TAXAS:
I – revalidação de diploma de cursos de graduação expedidos por instituições de ensino
superior estrangeiras ......................................................... R$ 2.000,00;
II – reconhecimento de diploma de curso de pós-graduação expedido por instituições de
ensino superior estrangeiras:
a) Mestrado ...............................................................R$ 1.200,00;
b) Doutorado................................................................R$ 1.800,00;
III – registro de diploma expedido por outras instituições de ensino superior do Estado de
Santa Catarina:
a) l.ª via .......................................................................... R$ 150,00;
b) 2.ª via ............... .R$ 300,00;
c) apostilamento de alteração de dados pessoais ............................ R$ 50,00;
d) apostilamento de novas habilitações .................................R$ 50,00;
IV – 2.ª via de diploma de curso de graduação ou pós-graduação..............R$ 300,00;
V – 2.ª via de certificado de especialização ou aperfeiçoamento......R$ 200,00;
VI – 2.ª via certificado de disciplina isolada ou na qualidade de aluno ouvinte de curso de
graduação ou de pós-graduação .................................R$ 100,00;
VII – 2.ª via de certificados de conclusão de curso na educação básica ....R$ 200,00;
VIII – 2.ª via de histórico escolar de curso de graduação ou pós-graduação..R$ 200,00;
IX – matrícula em disciplina de curso de graduação ou de pós-graduação com reprovação
por freqüência insuficiente ................................ R$ 100,00;
X – matrícula por disciplina de alunos especiais em disciplina isolada ou na qualidade de
aluno ouvinte de curso de graduação e de pós-graduação ................... R$50,00.

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Festival de Música da UFSC
O Festival de Música da UFSC foi uma tentativa da Secarte (Secretaria de arte da UFSC) de adaptar a seus moldes uma idéia do ME, o UFSCtock. Apesar de não ter problema algum, com qualquer iniciativa que a reitoria faça para incentivar a arte, queria apontar algumas coisas que eu reparei.
Não tive acesso ainda a quanto a reitoria gastou com esse evento, mas na certa foi muito mais do que o orçamento que o DCE teve para fazer o UFSCtock. Pois é, infelizmente o ME ainda não consegue se financiar sozinho e quando precisamos fazer um evento do porte do UFSCtock, pedimos ajuda a mesma Secarte que fez este evento e adivinha! Para conseguir o minimo para pagar os artistas se passaram inúmeras reuniões e muito stress, até que houvessemos conseguido o mínimo para realizar o evento. Houve quem dissesse que eles só liberaram a grana pois sabem que seria complicado fazer o Festival deles, se não pudessemos fazer o nosso UFSCtock, mas isso é especulação.
Alguém pode pensar, que tudo isso é normal. Afinal eles são os administradores da UFSC e nós meros estudantes querendo fazer festa. Pois bem, nosso evento, nas suas duas edições, teve muito mais sucesso que o deles, repercurtiu em diversos meios de comunicação, veio gente de todo lugar, o espaço para as bandas mostrarem seu trabalho foi muito rico e produtivo. O dinheiro da universidade é dinheiro público. Se os estudantes tem um projeto bom, vontade de faze-lo e iniciativa para isso, qual o problema da utiliação da grana, o problema esta no por que somos graduandos e eles doutores e mestres? E por que o festivalzinho deles deixa muito a desejar?
Fica a reflexão. E como curiosidade, queria contar a todos, que da mesma forma como a administração da universidade se utilizou da idéia do UFSCtock. A anos atrás, eles copiaram um projeto estudantil que visava fazer com que a UFSC mostrasse o que produz para toda a comunidade entorno desta. Hoje conhecemos esse projeto como Sepex.

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Fumaça no céu de Florianopólis
Quem colocou a cabeça para fora de casa essa semana viu um céu cinza, um sol vermelho e/ou uma lua amarela. Alguns acharam até bonito. Talvez não entenderam o que era. Queimadas no centro-oeste, somado ao clima seco fizeram com que nosso céu fica-se dessa forma. Todo mundo deve conhecer alguém que reclamou de dor de garganta ou um pouco de tosse.
Esse clima ta complicado e isso não é algo normal do planeta, disso tenho certeza. A influencia do homem, na busca pela produção de excedente esta exterminando com todo equilíbrio do planeta. Eu queria saber o que a "mãe protetora da natureza" Marina Silva tem pra dizer sobre isso. No minimo, deve ser decepcionante, vou procurar alguma coisa e depois trago pra cá.
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Sei que teria mais coisas pra dizer, sei também que não as falei da melhor forma, nem consegui construir um texto descente. Mas se não fizesse isso, acabaria esquecendo e deixaria para trás. Quem sabe eu continuo os quatro temas em posts separados, aprofundando bem cada um.