18 agosto 2010

1º Debate on-line nas eleições brasileiras

Hoje tivemos o primeiro debate on-line feito no Brasil para as eleições presidenciaveis. Quem transmitiu foi o site da Folha/UOL e estavam presentes Dilma, Serra e Marina. Os demais candidatos nem foram convidados.

Não consegui acompanhar o debate por completo, mas foi interessante principalmente, pela interatividade. Dããã...novidade! Todos os sites de notícias estão falando nisso. Mesmo assim vou dizer de novo, caso você não tenha visto...hehe Durante o debate, o Twitter bombou, os tweets falando sobre o mesmo eram inúmeros o Trending Topics era composto na sua maioria pelo nome dos candidatos e temas relacionados com a eleição.

Destaque para Plínio de Arruda, que mesmo não sendo convidado para o debate soube aproveitar o espaço da internet. Ligou sua Twitcam e comentou quase todas as respostas dos candidatos.

Mas voltando para o debate em si, ao contrário do feito pela Bandeirantes, este me pareceu mais agressivo. Os candidatos exploraram todas suas chances para atacar um ao outro. Segundo analise da Folha, Marina e Dilma se concentraram mais nos ataques a Serra, enquanto este procurou atacar o PT e o governo Lula. Pelo que entendi, eles estão insinuando que Marina teria percebido que suas chances de vitória são nulas e estaria pendendo para o lado da Dilma. Talvez até seja verdade, mas até onde consegui ver, não percebi o mesmo.

Marina começou, de leve ainda, a questionar a polarização entre Dilma e Serra, que a mídia esta dando para essas eleições. Apesar de entender que Marina não é uma alternativa a nenhum desses dois, concordo com ela. Bela democracia essa onde os maiores tem mais oportunidade para aparecer, mais um reflexo do que acontece na sociedade. Onde a pirâmide social se mantêm, já que os que estão no topo tem oportunidade para tudo, tem mais condições de vida, e os do extrato social mais abaixo pouca oportunidade tem de mudar sua condição.

No geral, poucas perguntas boas. Em geral tratam de perguntas do tipo "Se eleito, quanto tu vai investir em tal área?" ou "O que você pretende fazer com o programa tal de autoria do meu partido?". Elas pouco dizem sobre um projeto de nação que cada um defende, qual é o verdadeiro motivo por estarem se candidatando.

Não foi à toa o primeiro programa do Plínio tratou do financiamento de campanha dos outros candidatos, questionando em um minuto, as duas questões que levantem nos paragrafos anteriores. A desigualdade entre os candidatos através de financiamentos gigantescos de campanha e que projeto de nação defenderam primeiro, ou seja, daqueles que os ajudaram a se eleger: os banqueiros. Apesar do vídeo mostrar Dilma e Serra, isso cabe a Marina também. No debate quando perguntada por internauta "se o banco Itaú e a Camargo Corrêa, são importantes doadores eleitorais. Vc acha q eles fazem doações eleitorais por amor ao Brasil?" Marina desconversou, falou mal de caixa 2 (Sério...) e não respondeu a pergunta.

Bom, acho que já escrevi demais. Mas pra quem chegou até aqui, vai um prêmio, assistam o vídeo do Serra Comedor, chegou a ser TT no Twitter.

09 agosto 2010

Eleições 2010 na internet

A corrida eleitoral começou de fato na semana passada, com o primeiro debate televisivo entre os candidatos a presidente. Logo o Orkut estará tomado por fotos com decalques dos números de candidatos; as comunidades estarão debatendo os programas dos candidatos; o Twitter estará tomado de hashtags com o nome dos candidatos, acompanhados do número pra você votar; os TTs sempre terão alguém envolvido com as eleições; o Youtube terá centenas de vídeos da campanha ou de apoio a candidatos; e os blogs pouco falarão de outro tema.

Apesar da internet não ser um meio de comunicação democratizado no Brasil, o debate que rola dentro deste meio cibernético, não só é produtivo, como pode mudar o resultado nas eleições. É nos sites oficiais de campanha dos candidatos, que podemos ver as propostas e os programas por completo. Assim podendo refletir sobre aquilo que eles se propõem a fazer e não sobre aquilo que eles se propõem a nos falar.

Pensando nisso, resolvi escrever uma série de textos baseado na campanha dos presidenciáveis na internet. É apenas um projeto, se vou conseguir concluí-lo não tenho certeza. Mesmo se publicar poucas vezes, espero no mínimo, incentivar as pessoas que acessam o meu blog a utilizar a internet para conhecer mais sobre os candidatos e conhecer suas propostas, programas e ideologias.

Twitter:

Acompanho o Twitter dos 4 candidatos que foram ao debate da Band: @pliniodearruda, @silva_marina, @joseserra_, @dilmabr. Os demais candidatos desconheço a existência de twitter, mas vou procura-los.

@silva_marina Utiliza o twitter muito bem. Responde perguntas de alguns seguidores colando o link das propostas, costuma twittar o dia todo, falando principalmente sobre o Meio Ambiente. Sua campanha no twitter foi comentada em diversos jornais do mundo. Para tanto utiliza-se de uma equipe para atualizar sua página, o que na minha opinião não é problemático, já que independente de quem elegermos, estaremos elegendo um grupo e não apenas uma pessoa.

@pliniodearruda Mesmo tendo seus 80 anos de idade, o Plinio parece ser o único que atualiza pessoalmente o Twitter. O que lhe rendeu certo reconhecimento no microblog. Costuma contar os locais que visita e falar um pouco sobre o tema que debateu nestas visitas. Sempre que participa de uma entrevista, sua assessoria atualiza ao vivo o que o candidato esta discutindo. Além disso, ele separa momentos livres do seu dia para responder aos seus seguidores. Plínio após o debate da Band, foi o primeiro lugar no TT mundial, ele literalmente bombou no microblog, mesmo tendo uma participação amena no debate (assim como os outros três candidatos).

Plinio e Marina parecem ser os dois que melhor se utilizaram do Twitter até este momento da campanha. Numa pesquisa eleitoral feita no Twiiter, pelo @Tvoto, respondida por 19130 twitteiros, Marina tem 25% e Plinio 7,2%. Pontuações muito maiores do que as pontuações feitas nas pesquisas oficiais.

@joseserra_ Serra utiliza o Twitter para mostrar seu lado mais humano. Uma das principais críticas a suas campanhas, sempre foi, e ainda é, a falta de carisma e compaixão do candidato. Assim no twitter, meio onde os marketeiros conseguem construir o candidato que quiserem, sem muitas dificuldades, Serra demonstra um lado mais engraçado, mais descontraído. Porém ele peca em colocar pouco suas posições e falar pouco sobre seu programa.

@dilmabr A candidata do PT é a que menos usa o twitter. Costuma contar mais o que esta fazendo em sua campanha e assim como o Serra não se aprofunda muito no debate sobre as posições políticas. Mesmo assim parece ter uma aceitação maior, que seu arquirival, no @Tvototem 33,2% , enquanto Serra esta com 31%

Isto que fiz, não é uma analise muita profunda sobre a campanha dos candidatos no Twitter. Mas já deu para perceber, que sendo a internet um meio barato de se fazer campanha, é nesse meio que os candidatos “menores” ganham maior espaço.

Ainda não estou comentando as propostas dos candidatos, por isso talvez alguém confunda essa analise, com algo imparcial. Pois bem, para os que não sabem ainda, já fiz minha escolha. Meu voto é do Plinio e apesar de pretender buscar saber sobre todos os presidenciaveis, não tenho a mínima pretensão de fazer um acompanhamento imparcial. Primeiro que isso não faz sentido nenhum, não estou aqui para promover a “Democracia” e sim buscar destrinchar os candidatos para mostrar como a minha escolha é a mais correta (hehe). Segundo, que não existe uma analise imparcial dos fatos, existem inúmeros fatores que nos influenciam e mesmo que tentasse fazer um “jornalismo imparcial”, estaria sendo parcial.

P.S.: A intenção de começar a escrever estes textos é para que as pessoas comentem o que escrevo e discutam a campanha comigo, se não isto perde sentido. Obrigado pelo apoio!!! =D

28 julho 2010

Preconceito a nossos hermanos!

Não faz muito, que a Copa acabou e ainda lembro de grande parte das pessoas secando a seleção da Argentina, pois para eles, pior que o Brasil perder a Copa era perder e a Argentina ser campeã. Motivos? Argentino é arrogante, acham que são europeus, pensam que são melhores que nós em tudo. Discordo disso, mas já chego lá.

Nesse final de semana fui jantar com meu tio e ele estava contando de quando foi para Buenos Aires. Meu tio é um cara legal, inteligente, estudado, pessoa ótima para se conversar. Para minha surpresa, que no meio a tantos elogios a visita dele à Argentina, ele começa a falar mal dos argentinos, a mesma coisa de sempre: arrogantes, mal-educados, acham que são europeus, etc. No momento preferi não discordar, não quis ser o chato do jantar, mas isso ficou batendo na minha cabeça novamente, que preconceito estúpido!

Não sei se algo aconteceu durante a viagem dele à Buenos Aires para ele falar isso. Pode ser que ele tenha razão com relação a algum argentino, ou alguns argentinos. Mas de onde vem essa concepção generalizada, que argentino é um povo ruim?

Vou me fazer de advogado do diabo, quer dizer, dos argentinos. Como historiador que sou, acho que isso deve fazer parte de um processo histórico, mesmo não tendo muito estudo sobre isso, vou me aventurar e fazer uma tentativa em defesa ao povo argentino e sua cultura.

Primeiro, temos que diferenciar o que é arrogância do que é nacionalismo. Os argentinos são muito nacionalistas, basta buscar na internet sobre o dia das comemorações da independência Argentina, que verão que todos saem nas ruas com bandeiras do seu país, sabem por que o fazem e se orgulham disso. Além do mais eles são em média, muito mais politizados do que o povo brasileiro, as eleições é um acontecimento nacional, as ruas e cafés são tomados pela discussão política, buscam acompanhar os rumos de seu país. Tenho a hipotese de que um dos principais motivos, que os levam ao nacionalismo e o debate político, pode-se se explicar pela quantidade de leitura que eles tem, é fácil se encontrar em Buenos Aires grandes bibliotecas e Livrarias cheias de gente. A argentina tem universidades desde o século XVII, enquanto no Brasil a universidade tem um século de história – só isso já seria um bom argumento do porquê eles tem mais intimidade com os livros.

Segunda questão, se eles são nacionalistas como falei a cima, como podem eles se acharem europeus? Como nacionalistas, defendem eles a Argentina, país latino-americano, certo? Bem, aí podemos dar vários aspectos que motivam, nós brasileiros a cairmos nesse equivoco.

- Buenos Aires é uma cidade construída aos moldes de Paris e por isso parece ser a Europa, até mesmo pelo seu clima;

- Durante o século XX a Argentina esteve muito mais próxima diplomaticamente, assim como seu comércio exterior, da Inglaterra, enquanto o Brasil estava próximo aos EUA;

- Eles praticam esportes de origem européia, que o Brasil não, como hipismo e esgrima;

- Muito provavelmente, acrescenta-se nesse pacote algumas discussões que devem ter exestido entre brasileiros e argentinos, que o argentino disse que em seu país se lê e tem-se um nível cultural próximo a algum país europeu. Ainda assim ele esta defendendo seu país, com uma argumento falho, concordo, mas como se no Brasil as comparações com os países centrais não existissem.

Terceiro ponto e talvez o mais sério. Brasil e Argentina tem uma rixa histórica. Disputa por territórios importantes, assim como disputa para ser a economia mais forte na América do Sul. Normal que a disputa se reproduza em outros aspectos, mas não deixar um preconceito estúpido como esse ser reproduzido nos mais diversos aspectos, principalmente quando se fala em futebol. Afinal de contas também disputamos com eles para ver quem tem o melhor futebol. No entanto o principal propagador disso - parece que ninguém se da conta - é a mídia, que fica botando pilha de que “melhor que o Brasil ganhar é ganhar da Argentina, ou ver a Argentina perder”. Caí-se na questão da arrogância, dizendo do outro, mas não olha para si e vê que no futebol terá povo mais arrogante que o brasileiro?

Não estou querendo dizer que a Argentina é pior ou melhor que o Brasil. Cada país tem suas características louváveis e criticáveis. Questiono aqui esse preconceito que se reproduz sem fim, sem conhecermos nossos vizinhos de fronteira direito e que só faz aumentar esta rixa estúpida. E não to dizendo também que esse preconceito só existe do lado brasileiro, do lado argentino também existe e pode explicar por que eles nos tratam mal muitas vezes. Mas para que continuar esse ciclo?

Fica aqui a reflexão!

01 junho 2010

A muito não escrevo nesse blog e não foi por falta de assunto. Posso enumerar vários temas que me passaram pela cabeça, mas por não ter escrito no calor da hora ou por ter precisado de um pouco de pesquisa que não consegui fazer, os posts ficaram para trás assim como o blog. Se conseguisse tornar a escrita no blog algo cotidiano, talvez daria mais certo, infelizmente isto ainda não foi possível, mas talvez por isso tenha me rendido ao Twitter, mesmo xingando o micro-blog desde de que ele se tornou a mais nova febre.

Espero não estar escrevendo hoje no blog, só para ele não ficar parado completamente. A ideia é incentivar que haja novos posts, tornando este espaço parte do meu dia-a-dia. Para ajudar nisso resolvi colocar alguns dos temas que cheguei a pensar em escrever, mas que ainda não concretizei, até como forma de me cobrar e de que outras pessoas possam fazer o mesmo:

- Copa do Mundo. Marketing, publicidade, a Copa como produto. Além de é claro toda a parte divertida: torcida, bolões e álbum de figurinha;

- Batalha do Avaí. A ultima batalha vencida por Duque de Caxias na Guerra ao Paraguai que dá nome ao time da ilha;

- Dean (personagem do Supernatural) e o Capitão América. A forma de alguns heróis norte-americanos nos enlatados made USA;

- Aumento da Tarifa de Ónibus. Reflexões sobre o que tem acontecido em Florianopólis nas ultimas semanas;

- Subjetividade e objetividade. Grande dilema encontrado no campo da historiografia, tema complicado.

Esses são os temas que me recordo no momento, espero poder concretizar, no mínimo em parte!

29 abril 2010

Esporte na Universidade

No ano passado, o DCE foi para o CONUNE (Congresso Nacional da UNE) e levamos conosco uma tese para o Movimento Estudantil. Esntre os mais diversos temas, estava a questão do esporte na Universidade escrito pela Coordenação de Esportes na qual eu fazia parte e que nesse ano coordeno!
Já que a coordenação resolvou retomar alguns pontos, estou postando o texto que produzimos naquela época. Leiam e opinem, o dialógo é sempre importante para a construção de um pensamento coletivo!




A “(des) construção” do Esporte na Sociedade e na Universidade



Há muito se fala em benefícios que a prática desportiva tem para a saúde das pessoas e da possibilidade que este tem de resgatar estas da vida “comum”, dando oportunidades e educando para uma vida em coletivo, além da força de vontade, da concentração, e outros aspectos que o esporte pode ressaltar. A mídia hegemônica e a ciência ligada ao esporte tendem a ligar automaticamente a área desportiva a estas “tendências”. Na Universidade este quadro não é diferente: o que vemos é a reprodução do modelo de esporte que não leva em consideração a realidade dos sujeitos envolvidos nas atividades e que apenas adequa-se à classificação normalmente escolhida para os atletas ou praticantes dos esportes: a classificação baseada unicamente no rendimento. O erro em não pontuar as características sócio-econômicas de cada praticante esconde uma realidade ainda mais nefasta: a de desvincular o Esporte da política, esvaziando este assunto de sua natureza também alienadora, se enfrentada desta maneira, assim como o são outras áreas. Ajudar a reproduzir falsas esperanças “olímpicas” na população majoritária, encontrada na situação de pobreza, vem a ser uma atitude política a serviço de um projeto que conserva os moldes da sociedade atual.

A Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC atualmente além de passar pelo problema do curso de Ed. Física ter grande parte de sua graduação voltada para a construção meramente técnica de profissionais dessa área, ainda sofre de uma carência visível de espaços para a prática desportiva universitária em seu Centro de Desportos - CDS. A UFSC, assim como tantas outras Universidades Federais espalhadas pelo Brasil, mostra os sintomas do trato que é dado ao esporte em nosso país: o de mero voluntarismo por parte do acadêmico, onde a prática esportiva não conota parte fundamental do desenvolvimento e formação acadêmica. O resultado deste fator é uma sensível falta de políticas para o esporte dentro da Universidade, um descaso que além de expressar ignorância a respeito da totalidade de uma formação universitária, ainda denuncia a cômoda posição em que se encontram as “administrações centrais” da maior Universidade de Santa Catarina. O cenário Nacional fora destas instituições superiores é o mesmo: poucas políticas de incentivo ao esporte (mesmo quando se fala no esporte de alto rendimento) que dêem manutenção à vida de atletas, e muita “comercialização” do esporte enquanto sonho “olímpico”, seguindo os moldes do Comitê Olímpico Internacional.

A tarefa de fomentar um pensamento crítico e político através, e não apesar do esporte, é uma tarefa árdua, assim como se faz trabalhosa a construção de uma nova cultura sobre o esporte para a os acadêmicos da Universidade, mas o Movimento Estudantil articulado com suas instâncias de representação, como o DCE, os DA´s e os CA´s não podem se esquivar desta função. O Esporte e as práticas de lazer que envolvam arte e cultura podem e devem ser valorizados em todas as instituições de ensino superior de nosso país, criando espaços de interlocução com a Ciência e a Tecnologia, só assim poderemos ver algum sentido na palavra Universidade e todas as suas nuances.

O ultimo paragrafo não foi para a Tese:

Defendemos que o esporte é uma das práticas importantes para a formação humana, atingindo não só a saúde física de uma pessoa, mas também sua saúde mental e social. É essencial que exista nas universidades, políticas de incentivo ao esporte em todos os cursos, pois a universidade não deve servir apenas para formação de profissionais ao mercado de trabalho.

22 abril 2010

Paulo Freire e sua relevância ao ME

Como o pessoal que acessa o blog deve saber, eu milito no Movimento Estudantil. Nessa semana avaliando e reavaliando algumas coisas da organização onde atuo (Coletivo 21 de Junho) acabei por reler Paulo Freire e fiz algumas anotações que gostaria de compartilhar.

Paulo Freire além de pedagogo, era um militante revolucionário e sonhador de um mundo melhor. Digo sonhador pois suas obras são carregadas de amor e esperança na humanidade. Não é diferente com sua teoria de aprendizagem e comunicação. No sub-tópico do seu livro "Pedagogia do Oprimido" entitulado "A Teoria da Ação Dialógica e suas características" Freire aponta algumas diretrizes necessárias para conquistar ou chegar à práxis através do diálogo.
  • O amor ao mundo e a humanidade como um ato de criação e recriação em uma relação dialética;
  • A humildade, como qualidade compatível e essencial ao diálogo;
  • A fé, como algo que se deve instaurar antes mesmo que o diálogo aconteça, pois o homem precisa ter fé no próprio homem. Não se trata aqui de um sentimento que fica no plano metafísico, mas de um fundamento que creia no poder de transformação da realidade. Precisamos primeiro acreditar no que fazemos;
  • A esperança, que se caracteriza pela espera de algo que se luta;
  • A confiança, como conseqüência óbvia do que se acredita enquanto se luta;
  • A criticidade, que percebe a realidade como conflituosa, e inserida num contexto histórico que é dinâmico.
Essas características estão inseridas na discussão de uma pedagogia voltada para a libertação, que eu tive em alguns momentos do meu curso e que contêm alguns outros autores além de Paulo Freire, mas que no momento não tenho aqui quem são. A obra de Paulo Freire cabe muito bem ao ME na Universidade, principalmente sua teoria da ação dialógica, com as características: co-laboração, unir para a libertação, organização e síntese cultural.


Co-laboração:
Sujeitos para transformação do mundo em co-laboração.
Isso não significa que “no quefazer dialógico,
não há lugar para a liderança revolucionária.

A liderança em questão, não é proprietária dos demais, como comandante. “Se assim fosse, esta liderança seria como o messianismo salvador das elites dominadoras, ainda que, no seu caso, estivessem tentando a 'salvação' das massas populares” pg.96

Assim a relação entre liderança e massas se da com base no diálogo, sem domínio, sem imposição, mas de forma que as massas sejam sujeitos de transformação também. Essa forma de diálogo também é caracterizada pela humildade da liderança para com o estudante (no nosso caso). Partindo da realidade deste sujeito começa-se o diálogo. Assim deve ser para a conquista de uma consciência revolucionário, uma consciência crítica e não uma consciência moldada, ingênua, seguidora de princípios que nem o sujeito compreende.

Unir para a libertação:

A união aqui, é a união dos oprimidos. União essa como classe, como consciência de classe. Para Paulo Freire essa união no processo revolucionário deve ser uma ação cultural.
“Ação cultural, cuja prática para conseguir a unidade dos oprimidos vai depender da experiência histórica e existencial que eles estejam tendo, nesta ou naquela estrutura.” p.101

Para exemplificar isso Freire faz a distinção de camponês e trabalhador da cidade. E que ambos se diferenciam do nosso caso, de estudante! O essencial, é levar em conta a conjuntura em que os sujeitos se encontram e sua história. Só entendendo a realidade em que estamos inseridos é que pode mos transforma-lá.

Organização:

Quando falo de organização entendo que só de boas intenções o movimento não funciona. Ele precisa de objetivos, disciplina, de tomada de decisões, de liderança, de tarefas a cumprir e contas a prestar. Porém isso não significa que a liderança/vanguarda deva ordenar os mobilizados, os manipulando e 'coisificando', usando palavras de Freire.

“Na teoria da ação dialógica, portanto, a organização, implicando em autoridade, não pode ser autoritária; implicando em liberdade, não pode ser licenciosa. Pelo contrário, é o momento altamente pedagógico, em que a liderança e o povo fazem juntos o aprendizado da autoridade e liberdade verdadeiras que ambos, como um só corpo, buscam instaurar, com a transformação da realidade que os mediatiza.” p.104

Síntese Cultural:

“Conhecer o mundo com o povo”. A liderança/vanguarda não leva ao estudante a resposta exata de como funciona a estrutura social que este esta inserido, ele não esta ali para ensina-lo, mas para conhecer essa realidade com ele, a partir dele. Sem cartilhas, apenas com conceitos e estudos que este tem como vanguarda, mas não como senhor da sabedoria suprema revolucionária.

“Temas geradores” - temas esses que partem da realidade do estudante (em nosso caso). Segundo Freire “A investigação dos temas geradores ou da temática significativa do povo, tendo como objetivo fundamental a captação dos seus temas básicos, só a partir de cujo o conhecimento é possível a organização do conteúdo programático para qualquer ação com ele, se instaura como ponto de partida do processo de ação, como síntese cultural.” pg.105

Freire finaliza o livro com uma frase que gostaria de citar: “Se nada ficar destas páginas, algo, pelo menos, esperamos que permaneça: nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens e na criação de um mundo em que seja menos difícil amar.” pg.107

18 março 2010

PNDH3 E OS LIMITES DA ESQUERDA GOVERNISTA

Nesta última segunda-feira, o DCE da UFSC, promoveu uma conferência com o Ministro Paulo Vannuchi sobre o PNDH-3. A partir de algumas discussões feitas antes e depois da conferência, um mebro do DCE escreveu um texto sobre os limites do Plano que gostaria de compartilhar.

O original esta no site do DCE.

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PNDH3 E OS LIMITES DA ESQUERDA GOVERNISTA




Vitor Hugo Tonin
Graduando em Economia na UFSC
Colaborador da Gestão Canto Geral DCE-Luis Travassos
Membro do Coletivo 21 de Junho


O Diretório Central dos Estudantes - Luis Travassos realizou nesta segunda-feira (15/03) uma importante atividade na Universidade Federal de Santa Catarina: uma conferência com o Secretário Especial dos Direitos Humanos sobre o polêmico PNDH3. O 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos foi o responsável por um dos principais rachas do governo Lula. Algo muito superior aos intermitentes conflitos entre o Ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central em torno das taxas de juros. Ministros contrários ao plano como Reinhold Stephanes, da Agricultura e Nelson Jobin da Defesa, além de praticamente todas as Forças Armadas, da grande mídia e de setores da igreja saíram criticando publicamente o plano, e mais: a ameaçar (publicamente!) dedemissão caso o texto não fosse alterado. Por outro lado, o Secretário Especial Paulo Vanuchi respondeu na mesma moeda e ameaçou publicamente de demissão caso o texto do decreto fosse alterado. Como bom negociador patronal, no decreto o Presidente Lula recuou.

Cheguei à conferência atrasado por causa da aula, mas ansioso para ver como um ministro que havia colocado seu cargo à disposição (coisa rara hoje em dia) estava fazendo a disputa política pelo plano após o recuo do Lula. Vi o final da apresentação e o primeiro (e único) bloco de perguntas respondido pelo ministro. O tom insosso predominou durante toda a conferência. Não se alterou sequer com a pergunta do “representante” do jornal Estado de SP (que chamou o ministro de assassino e ditador comunista) muito menos com a pergunta do “representante” da Folha de SP (que utilizou o argumento do "vamos olhar pra frente"). O ministro, como bom cristão, limitou-se a uma lição de moral no primeiro que fazia caretas enquanto lhe respondia.

Ao sair da conferência após o abrupto termino pedido pelo ministro, os sentimentos eram diversos: havia os que haviam gostado da primeira pergunta, os que se indignaram com ela, e os que se indignaram com o ministro. Peraí?! Com o ministro? Mas por quê? Não é ele o defensor dos direitos humanos que foi superdemocrático até com uma pergunta direitosa daquelas? Mas afinal qual é o motivo? Trata-se do seguinte: por que um ministro especial dos direitos humanos no Brasil, um país cujo desenvolvimento do capitalista está assentado no ataque sistemático ao que hoje se chama "direitos humanos" insiste em querer fazer justiça convencendo as classe (ou frações) da classe dominante brasileira?

Do colonialismo à monarquia. Da proclamação da República ao golpe militar de 1964. Da "abertura lenta, gradual e segura" à primeira década século XXI o desenvolvimento agrário, industrial e bancário, a igreja, e os meios de comunicação, ou seja, toda a formação sócio-econômica brasileira está assentada na violação dos direitos humanos. No trabalho escravo, na superexploração da força de trabalho que se manifesta nas jornadas duplas e na informalidade, na diferenciação sexista e racista dos salários, ou na utilização de força policial militar de combate na repressão dos movimentos sociais e na contenção dos bolsões de pobreza - simbolizado pelo caveirão carioca. Para quem achar que estou exagerando, basta uma consulta rápida na internet que irão localizar coisas como esta:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091026/not_imp456279,0.php

Acreditar que virá de um "governo de coalizão", (espero que ninguém entenda este adjetivo como se referindo aos setores populares da nossa sociedade: é uma coalizão com a classe dominante brasileira) como o concebe o próprio ministro, a aprovação do plano é no mínimo ser utópico. Mas ninguém aqui vai tratar o ministro de maneira minimalista. Um militante do PT por décadas conhece muito bem os nossos quinhentos anos de história. Conhece e sabe muito bem como age a classe dominante brasileira e com certeza não acorda após delirar em sonho com uma aprovação do PNDH3 pelo congresso brasileiro.

Quer dizer que estou chamando o ministro de falsário? De enganador, que fica nos distraindo com esses debates que ao fim não vão levar a nada? Não, não é isso que quero dizer. É preciso fugir dos moralismos.

O ministro, assim como outros setores de esquerda que compõe o governo, é resultado de 30 anos de repressão política e de uma transição conservadora à democracia. Mais que isso é expressão da derrota de uma tática política (a luta armada). Acreditam no sistema democrático brasileiro que por fim ajudaram a construir e acham que não há outra saída, exceto “disputar internamente”. É aqui que se encontra o erro. Mas a solução não está longe, nem distante. É simples: proposta polêmica? Setores de um admitido “governo de coalizão” em conflito sobre o PNDH3? O que fazer? Ora, como em toda democracia, o demo (do grego, por favor não confundam!) resolve: submeta-se ao povo brasileiro através de um plebiscito. Ora! Conflito na plutocracia sobre um tema que trata diretamente das condições de vida do nosso povo? Por que os setores progressistas, o próprio ministro, o presidente Lula, não vão à imprensa fazer campanha, como fazem pelo PAC, para resgatar o legítimo direito do povo decidir sobre seu destino?

O radicalismo democrático (ou democracia participativa) é a formula, já testada inclusive, que os verdadeiros governos progressistas e democráticos da América Latina encontraram para enfrentar suas elites e construir uma nação soberana. O fato de nenhum ministro, nenhum setor do governo ou partido da coalizão levantar esta possibilidade, mesmo num assunto tão caro à esquerda governista, ajuda a nos demonstrar até onde alcança a linha “progressista” do governo brasileiro.
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