Já que a coordenação resolvou retomar alguns pontos, estou postando o texto que produzimos naquela época. Leiam e opinem, o dialógo é sempre importante para a construção de um pensamento coletivo!
A “(des) construção” do Esporte na Sociedade e na Universidade
Há muito se fala em benefícios que a prática desportiva tem para a saúde das pessoas e da possibilidade que este tem de resgatar estas da vida “comum”, dando oportunidades e educando para uma vida em coletivo, além da força de vontade, da concentração, e outros aspectos que o esporte pode ressaltar. A mídia hegemônica e a ciência ligada ao esporte tendem a ligar automaticamente a área desportiva a estas “tendências”. Na Universidade este quadro não é diferente: o que vemos é a reprodução do modelo de esporte que não leva em consideração a realidade dos sujeitos envolvidos nas atividades e que apenas adequa-se à classificação normalmente escolhida para os atletas ou praticantes dos esportes: a classificação baseada unicamente no rendimento. O erro em não pontuar as características sócio-econômicas de cada praticante esconde uma realidade ainda mais nefasta: a de desvincular o Esporte da política, esvaziando este assunto de sua natureza também alienadora, se enfrentada desta maneira, assim como o são outras áreas. Ajudar a reproduzir falsas esperanças “olímpicas” na população majoritária, encontrada na situação de pobreza, vem a ser uma atitude política a serviço de um projeto que conserva os moldes da sociedade atual.
A Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC atualmente além de passar pelo problema do curso de Ed. Física ter grande parte de sua graduação voltada para a construção meramente técnica de profissionais dessa área, ainda sofre de uma carência visível de espaços para a prática desportiva universitária em seu Centro de Desportos - CDS. A UFSC, assim como tantas outras Universidades Federais espalhadas pelo Brasil, mostra os sintomas do trato que é dado ao esporte em nosso país: o de mero voluntarismo por parte do acadêmico, onde a prática esportiva não conota parte fundamental do desenvolvimento e formação acadêmica. O resultado deste fator é uma sensível falta de políticas para o esporte dentro da Universidade, um descaso que além de expressar ignorância a respeito da totalidade de uma formação universitária, ainda denuncia a cômoda posição em que se encontram as “administrações centrais” da maior Universidade de Santa Catarina. O cenário Nacional fora destas instituições superiores é o mesmo: poucas políticas de incentivo ao esporte (mesmo quando se fala no esporte de alto rendimento) que dêem manutenção à vida de atletas, e muita “comercialização” do esporte enquanto sonho “olímpico”, seguindo os moldes do Comitê Olímpico Internacional.
A tarefa de fomentar um pensamento crítico e político através, e não apesar do esporte, é uma tarefa árdua, assim como se faz trabalhosa a construção de uma nova cultura sobre o esporte para a os acadêmicos da Universidade, mas o Movimento Estudantil articulado com suas instâncias de representação, como o DCE, os DA´s e os CA´s não podem se esquivar desta função. O Esporte e as práticas de lazer que envolvam arte e cultura podem e devem ser valorizados em todas as instituições de ensino superior de nosso país, criando espaços de interlocução com a Ciência e a Tecnologia, só assim poderemos ver algum sentido na palavra Universidade e todas as suas nuances.
O ultimo paragrafo não foi para a Tese:
Defendemos que o esporte é uma das práticas importantes para a formação humana, atingindo não só a saúde física de uma pessoa, mas também sua saúde mental e social. É essencial que exista nas universidades, políticas de incentivo ao esporte em todos os cursos, pois a universidade não deve servir apenas para formação de profissionais ao mercado de trabalho.
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