24 setembro 2010

Reflexões sobre o voto!

Falta um pouco mais de uma semana para as eleições brasileiras. Ainda falta decidir em quem votarei para deputado estadual e governador, no entanto andei reparando em algumas coisas que me fizeram refletir com ajuda de alguns amigos.

Muita gente, vai escolher em quem votar pelo indivíduo que esta se candidatando, independente do partido pelo qual se candidatam. No meu entendimento isto é um erro, se candidato x ou y é do Democratas ou do PT, é por que ele esta defendendo certo conjunto de práticas e idéias, de projetos para o Brasil e/ou Santa Catarina, elaboradas a partir de uma ideologia. Os partidos tem seus aliados, sejam outros partidos, sejam aqueles que financiam a sua campanha. Isto acontece pois existe um acordo, mesmo que informal, entre estes para que se eleitos façam algo de interesse dos mesmos.

É por esse motivo que tenho a tendência a votar nos candidatos do PSOL para outros cargos, além do Plínio. Mesmo sabendo que muitos desses candidatos são quadros políticos ruins, são estes que estão defendendo o projeto político que o PSOL defende, o mesmo projeto que Plínio defende em campanha, o mesmo que eu decidi apoiar.

Esta um pouco confuso, eu sei. Espero estar conseguindo passar o recado.

Algumas pessoas podem dizer que alguns partidos não são homogeneos e por isso escolheram um candidato de partido x, pois este é diferente de outros. Bem, é verdade que muitos partidos não são homogeneos. Alguns (caso do PMDB) fazem coligação com um partido em nível nacional e faz coligação com a oposição deste em nível local. No entanto, isto ocorre por interesses regionais diferentes, mas que no entanto não modifica quase nada a sua prática política. Há ainda os partidos que são formados por correntes (caso do PT), que em alguns casos existe rixas fortes intrapartidárias. Só que quando estes estiverem no governo, no parlamento ou seja lá qual o espaço, defenderam a pauta do seu partido, de sua bancada, de seu grupo político.

São apenas reflexões, sem muito rigor.


17 setembro 2010

10 obras literárias que todo historiador deveria conhecer!

Bem, quase desisti de fazer esta lista de 10 livros literários. Existe muita coisa importante que sei que esqueci, deixei de lado, além de que não sabia direito que critérios usar para escolhe-los.

Acabei por escolher livros que acho interessante para o ensino de história, mas mesmo assim ficou sem critérios bons para escolhe-los. Deixei muitos livros de lado, que sei que ainda tenho que ler, mas como não conheço direito preferi não colocar na lista.

Como a lista anterior, ela esta totalmente aberta a sugestões e não é definitiva.

10 obras literárias que todo historiador deveria conhecer:

- 1984 (George Orwel); Eric Burton Blair (verdadeiro nome de Orwell) era um trotskista inconformado com os rumos do socialismo soviético e a centralização do poder de Stálin. Neste livro ele retrata uma distopia sobre um regime totalitário, centralizado nas mãos do "Big Brother", que além de ser uma caricatura de Stálin, também foi baseado nas figuras de Hitler e Churchill.

- O Coronel em seu Labirinto (Garcia Marques); Conta a história dos últimos dias de vida de Simon Bolívar.

- Canto Geral (Neruda); A história política e social da América Latina.

- Rei Lear (Shakespeare); Não é uma das obras mais conhecidas de Shakespeare, mas por se basear em histórias antigas do folclore anglo-saxão, onde se mostra algumas questões de como funcionava o regime feudal e da hereditariedade familiar dos reinos, torna-se um livro interessante para qualquer historiador. Assim como outras obras de Shakespeare.

- On the Road (Jack Kerouac); Importante livro que influenciou mais de uma geração. Essencial para entender o Movimento Beat, os Hippies, o Rock and Roll e toda a Contracultura da década de 60.

- 1968: O Ano que não Terminou (Zuenir Ventura); Ventura narra a história e os acontecimentos entre a intelectualidade da juventude en torno do AI-5. Retrata o Movimento Estudantil crescente nesse período, marcado pela o autoritarismo da ditadura.

- A Rosa do Povo (Carlos Drummond de Andrade); Poeta modernista, que através da poesia falava sobre dos dilemas enfrentados pelo povo brasileiro.

- De Vagões e Vagabundos (Jack London); Crônicas escritas por London - mais conhecido por suas histórias com a natureza - mas que nesse livro retrata a vida urbana do começo do século XX. O trabalho alienado e repetitivo, as baixas condições de trabalho, a dificuldade nas grandes cidades, a vida de vagabundos e a repressão que esses sofriam por não serem dignos trabalhadores.

- O Nome da Rosa (Umberto Eco); Escrito por um historiador, é um livro de suspense que gira entorno de uma abadia católica e retrata o período das luzes por dentro da igreja. É interessante para discutir como a escrita da História pode ser manipulada para certos poderes.

- Maíra (Darcy Ribeiro); Indígena levado ao sacerdócio por um padre e questionador de sua fé. antropologo demonstra o choque de culturas.


Eu sei! Está longe de ser uma lista ideal!

16 setembro 2010

10 livros que todo historiador deveria ler!

Dias atrás o twitter da @redehistorica perguntou qual seria os 10 livros que todo historiador deveria ler. Isso foi motivo de algumas conversas entre meus amigos historiadores. Infelizmente, como estava sem internet, não pude fazer minha contribuição de forma adequada, mas fiquei pensando nisso.

Cheguei a conclusão de que uma lista de livros, como o @redehistorica propunha não era suficiente. A formação de um historiador vai muito além de livros sobre história, de pesquisa científica, já que somos profissionais da educação (em grande parte). É interessante que pensemos em outros meios de aprender, que não só através dos livros de história, que em geral, são prolixos e densos. Por isso, pretendo trazer duas listas: uma com a proposta inicial e uma segunda com os 10 livros de literatura que todo historiador deveria ler e conhecer. Mas a segunda fica para outro momento.

Ah.... não colocarei os livros em ordem de importância, apenas citarei 10 e direi o motivo pelo qual eles aparecem na lista. Já é dificil ter que escolher dez, seria mais dificil herarquiza-los. A lista será feita para um historiador brasileiro.

10 livros que todo Historiador deveria ler:

- O Povo Brasileiro (Darcy Ribeiro); Entre os livros que falam sobre a história da formação do povo brasileiro nesta lista é o menos conhecido entre os historiadores. Mas nem por isso é menos importante. Escrito por um dos maiores antropologos brasileiros, Darcy Ribeiro, a obra trata de uma teoria de um povo miscigenado e de como deu toda sua formação através de 3 etnias: a indío, o negro e o português.

"Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes. A urbanização contribuiu para uniformizar os brasileiros, sem eliminar suas diferenças. Fala-se em todo o país uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais. Mais do que uma simples etnia, o Brasil é um povo nação, assentado num território próprio para nele viver seu destino."

- Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Hollanda); Quase unanimidade entre os historiadores, raízes do Brasil trata de nossas origens e da formação de uma nação. Livro indispensável para qualquer historiador brasileiro, que deveria ser incentivado em todas escolas de ensino médio para sua leitura e estudo. Diferente da obra de Darcy Ribeiro, que aborda mais os aspectos culturais do Brasil da cultura indígena e negra, "Raízes do Brasil" trás a herança na colonização portuguesa.

- Casa Grande e Senzala (Gilberto Freyre); Outra obra que deverá estar em quase toda lista de historiadores, fala sobre escravidão e a relação de trabalho no período colonial. Assim também, fala sobre de como a cultura africana participou na formação de nosso país e de nosso povo. Através de como se estrutura a Casa Grande, ele demonstra a construção a divisão social do Brasil Colônia, que tem desdobramentos até os dias atuais.

- A Formação da Classe Operária Inglesa (Edward Thompson); Importante obra marxista do século XX, que trouxe uma visão mais ampla das relações de trabalho, que não girassem apenas em volta do economicismo, característico de grande parte das obras marxistas. Principal livro para conhecer o que é história social.

- Concepção Dialética da História (Antonio Gramsci); Pouco lido no curso de graduação de História da UFSC, Gramsci trás uma releitura marxista da história da cultura (Contraposição a Escola de Frankfurt e dos pós-modernos, muito utilizado nas ciências humanas). Importante livro para entender a dialética na experiência histórica.

- Apologia da História ou O ofício do historiador (Marc Bloch); Divisor de águas na historiografia. Quebra com o positivismo, com a história linear de causa-consequência.

- História da sexualidade (Foucault); O debate do que é cultural e do que é natural, é sempre muito fecundo entre os historiadores. Foucault demonstra como até mesmo, aquilo que o senso comum vê como natural ao ser humano, tem suas raízes na História, como construções culturais. Foucault têm vários defeitos, mesmo assim é importantíssimo para entendermos a história da humanidade em sua totalidade. Mesmo negando o marxismo até sua morte, ele tem muitos aspectos dos melhores marxistas. Talvez esse não seja o melhor livro dele para colocar entre os 10, porém foi o que eu li.

- A Era das revoluções (Hobsbawn); Obra importante para se ter na estante. Hobsbawn faz uma apanhado geral sobre as revoluções de 1789 a 1848, demonstrando como as Revolução Francesa, Revolução Industrial e o Manifesto Comunista modificaram visões de mundo e reestruturaram a ciência, a filosofia, a moral e diversos aspectos da sociedade contemporânea. Toda a obra de Hobsbawn pode ser considerada uma enciclopédia histórica, porém ainda uma perspectiva eurocêntrica.

- Nuestra América (José Martí); Martí, Chê, Bolívar, Mariategui e vários outros latino-americanos são importantíssimos para conhecermos a história deste continente. A escolha de Martí para a lista, foi por ele conseguir apresentar com maior embasamento (e uma leitura agradável) a formação da América Latina, a que ele chama de "Nuestra América".

- Ideologia Alemão (Marx e Engels); Antes de ler a coleção Primeiros Passos para entender o que é dialética, nada melhor do que ler na fonte primária. Marx aqui, trás a discussão de uma dialética abstrata, produzida pelos jovens hegelianos e uma dialética defendida por ele, com embasamento na realidade concreta, que a essência da história esta na atividade humana e sua experiência acumulada.


A lista não é definitiva. Tem muita coisa que eu não li, desconheço e talvez tenha esquecido. Ela tem abertura para receber sugestões.

Logo eu posto a outra lista... Agora vou voltar para meu TCC...

IMPASSE

Hoje a noite, às 19h30, no auditório da Reitoria acontecerá o lançamento do documentário "Impasse". Trabalho de Fernando Evangelista sobre as manifestações contra o aumento da tarifa deste ano. O trailler esta de arrepiar, o documentário deve ser ótimo!


Q

Quem quiser saber mais sobre ele acesse: www.impasse.com.br

06 setembro 2010

ME da UFF e sua vitória a favor de uma Universidade 100% gratuita

Na última semana ocorreu uma das maiores vitorias do Movimento Estudantil, desde que eu estou na Universidade. Só que esta vitória não ocorreu na UFSC, mas sim na UFF (Universidade Federal Fluminense), onde em um pebliscito, com o voto universal, a comunidade universitária decidiu pelo fim dos cursos de pós-graduação pagos na UFF com ampla vantagem na votação.

Qual era o objetivo do Plebiscito?

Para atender ao anseio da comunidade universitária, o Conselho Universitário (CUV) decidiu, em 1998, pela constituição de uma Assembléia Estatuinte,
paritária, com 30 membros de cada segmento, para a elaboração de proposta do
Novo Estatuto da UFF. Decidiu-se que os pontos divergentes entre os textos
aprovados pela Assembléia Estatuinte, com quórum qualificado, e o Conselho
Universitário seriam levados à comunidade universitária, na forma de
plebiscito,
com voto universal, para a decisão sobre a redação final do
Estatuto da
Universidade.¹

O que aconteceu?

Com uma das melhores campanhas que eu já tive notícia (Infelizmente só tenho material impresso no momento) o ME da UFF, com um pequeno apoio de ME de outras partes do Brasil, conseguiu superar a votação do ultimo reitor eleito, O Profº Roberto Salles. Com 13323 votantes, o voto pela universidade 100% gratuita atingiu 11497 votos (86,8%), enquanto o voto contrário ficou em 1751 (13,2%). Quem quiser vver o resultado completo pode ver aqui.

Sem serem dogmáticos, como grande parte do ME de esquerda hoje, a campanha "pela UFF
100% gratuita" soube dialogar com estudantes, servidores e professores. Utilizaram-se toda a criatividade que a juventude pode ter, para fazer seus panfletos, jornais, vídeos na internet e atos. Tudo de forma didática sem ofensas, jargões e clichês. O porquinho, marca da campanha, se espalhou por toda a universidade avisando a todos o que estava em jogo nesse plebiscito.

Só para ilustrar um pouco do que falo aqui esta um dos textos de que falei:

Por que o plebiscito?

Apesar de pública, a Universidade Federal Fluminense tem vários cursos que são pagos. Esses cursos, cujas mensalidades, variam entre R$190 e R$1.800, vêm sendo implementados na UFF há vários anos, sem a menor discussão com a comunidade acadêmica. No ano passado, por proposta do movimento estudantil foi aprovada no Conselho Universitário a realização do Plebiscito.

Professores, estudantes e servidores tem se mobilizado na campanha pela gratuidade em todos os níveis de ensino. Por que?

1) Porque os cursos pagos são ilegais. A Constituição Federal e a LDB instituem que ensino público deve ser gratuito. Com base nesse argumento, o Ministério Público interveio na UFRGS (Rio Grande do Sul) e decretou a extinção dos cursos pagos que existiam lá.
2) Porque com curso pago o estudante paga duas vezes. Todos nós pagamos impostos (altíssimos), o que deveria garantir o direito à educação publica, conforme a constituição.
3) Porque apenas 1,5 % do orçamento da UFF é composto pela receita desses cursos, e, no entanto, o impacto dos mesmos constrói uma lógica de privatização da universidade aos poucos, por dentro.
4) Porque vários professores em regime trabalhista de dedicação exclusiva (DE) dão aula nos cursos de pós-graduação latu-sensu pagos, o que é ilegal.
5) Porque vários departamentos têm deixado de abrir pós-graduações gratuitas e outros vários só têm pós-graduações pagas (Turismo, por exemplo). Os cursos pagos devem ser avaliados e incorporados à UFF gratuita, como ocorreu, por exemplo, na Faculdade de Enfermagem da UFF, que tinha 4 cursos de pós-graduação pagos e hoje têm apenas um, que deve ser incorporado em breve.
6) Porque os cursos pagos têm implementado uma lógica de interesses privados na universidade, na qual um grupo de professores, a partir desses cursos, tem usado a universidade para lucrar milhões.
7) Porque a FEC (Fundação Euclides da Cunha), gestora dos cursos pagos não presta contas e é o centro do que existe de corrupção na UFF, que hoje é investigada pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público por improbidade administrativa, uso de caixa dois, etc…


Infelizmente, tenho pouco material sobre a mesma para mostrar para vocês. Mas só de saber que isso foi possível aqui no ME brasileiro já fico mais contente. Que fique a inspiração para a galera no movimento contra a volta das taxas na UFSC.


¹ Texto retirado do site
http://www.plebiscito2010.uff.br./