21 agosto 2009

Apartidário ou anti-partidarismo?

Um dos principais discursos do DCE, gestão Boas Novas, confunde-se muito com o anti-partidarismo. Mas há um equívoco grande nessa confusão e eu vou tentar explicar o por quê.

Existe a comprensão de que as pautas estudantis devem surgir dos estudantes e não do comitê central de um partido, que nada conhece da realidade cotidiana destes estudantes, por mais que tenha a compreensão da conjuntura nacional da educação. No entanto, isto não significa que os partidos não possam ter sua importancia.

Manuais não só de partidos e outras organizações políticas, como de diversos campos da ciência, são formas de imposição de um pensamento que pouco relaciona com a realidade local, como também não faz com que haja a produção intelectual no ambiente local. Para quem viu o filme "Che - O Argentino", pode ver um exemplo disso, pois Che nega a ajuda de cartilhas soviéticas para uso de formação, pegando os livros originais para estudo a serem usados para a compreensão da realidade cubana, que por sinal era muito diferente da russa.

Alguém pode estar se perguntando pra que toda essa volta na discussão? Bem, é só para salientar a importancia da existência de um DCE independente, que faça as suas atividades pautadas na realidade do estudante. Porém isso não significa que condenamos qualquer movimentação partidária, tanto é que algumas vezes nossa gestão se envolveu com partidos e organizações políticas para tocar algumas atividades e reinvindicações que eram pertinentes aos estudantes da UFSC.

"Então, significa que existem partidos bons?"

Eu respondo: Quase! Existem oportunidades em que podemos tocar pautas junto a alguns partidos. Porém no Brasil, hoje, não existe alternativa partidária que represente a idéia que defendi algumas vezes aqui nesse blog e que defendo no meu cotidiano de militancia. O Brasil apesar de ter inúmeros partidos, poderiam ser encaixados em poucos grupos. Sendo que nenhum destes tem viabilidade de implantar um projeto de nação que tire o Brasil do subdesenvolvimento e liquide com a desigualdade social.

* Foto do MPL do Distrito Federal vinculado no site do CMI Brasil.

17 agosto 2009

Os Latifúndios da Informação

Bom, hoje vou fazer algo diferente, vou apenas colar um texto em que li em outro blog, com sua devida fonte.
Muito se fala do autoritarismo de Hugo Chavez, como de outros governos progressistas da América Latina e algumas atitudes destes, que segundo nossa mídia seriam anti-democráticas. Pois muito bem, para esclarecer alguma destas questões resolvi postar um texto vinculado no Blog do Turquinho. Eu não poderia escrever melhor.
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Do blog Velho Comunista

Traduzido por J.A. Pina/R.Maciel

Na América Latina, alguns grupos e famílias poderosas controlam a mídia, fechando e bloqueando o espaço político e democrático. Uma hegemonia que os governos progressistas eleitos democraticamente querem atacar em profundidade.


No continente latino-americano começou uma mudança política que tenta romper com um passado de submissão às regras impostas por Washington e pelo FMI. Os novos governos têm dado um giro progressista, com moderação, conforme falamos de um grupo mais radical que inclui a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou países como Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai ou inclusive Honduras.

A oposição reage de maneira diferente segundo os casos, não duvidando às vezes em escolher formas violentas como as tentativas separatistas na Bolívia ou o golpe de Estado em Honduras. A direita tem na imprensa um aliado que suaviza freqüentemente as debilidades de um setor que perdeu sua credibilidade. A direita e grandes grupos de comunicação denunciam censura, ataques à liberdade de expressão quando Rafael Correa no Equador, ou Hugo Chávez na Venezuela nacionalizam uma cadeia de televisão ou quando na Argentina Cristina Fernández propõe uma lei audiovisual que substituiria à herdada da ditadura de 1976. O que ocorre realmente?

A América Latina é a única zona do mundo onde a economia está concentrada nas mãos de um punhado de grupos de operam no agronegócio, na indústria e na informação. No que se refere a esta última, se constata que algumas famílias, Azcárraga, Slim no México, Noble na Argentina, controlam a imprensa escrita, audiovisual, internet, as editoras; em Honduras quatro grupos repartem o espaço informativo, o mesmo ocorre na Colômbia onde opera a família Santos da qual dois de seus membros estão no governo de Álvaro Uribe (um é vice-presidente, o outro deixou a pasta da Defesa para por em marcha sua campanha presidencial para 2010). Este fenômeno deu nascimento à expressão “latifúndios da informação”. Na ausência de legislação clara, a imprensa utiliza meios pouco compatíveis com a ética, ameaçando deste modo inclusive o direito dos cidadãos à informação. No que se refere a Honduras, os telespectadores da América Latina só receberam nos primeiros dias do golpe as imagens da CNN que mostravam manifestações e opiniões favoráveis aos golpistas, antes de ver as reportagens da Telesur criada pelo governo venezuelano como alternativa ao monopólio privado; no entanto, esta última não chega a todos os países.

Na Venezuela, durante o último referendum que modificava a Constituição, um estudo mostra que 76% das informações se inclinavam para o “não” à reforma proposta pelo governo contra 22% favorável ao “sim”, "não", que finalmente ganhará. E recordamos o apoio da mesma imprensa ao golpe de Estado contra o presidente Chávez em 2002. Na Bolívia, a imprensa escrita em sua quase totalidade apóia à oposição representada pelos grandes proprietários de terras do leste, que tentam impor a divisão do país. No Peru, durante as eleições presidenciais, a maioria da imprensa apoiou no primeiro turno aos candidatos da direita antes de apoiar ao socialdemocrata Alan García no segundo turno contra o candidato indigenista que lembrava a Evo Morales ou a Rafael Correa. Na Argentina, a imprensa escrita e audiovisual que pertence 85% aos grupos privados foi a ponta de lança da oligarquia agrária desejosa de baixar as taxas de exportação, durante o conflito que opunha este setor ao governo. E se recordará o papel representado no passado pelo Mercurio no Chile em 1973, incitando e apoiando o golpe de Estado do general Pinochet.

Em resposta, Rafael Correa propõe a criação de um organismo de controle que permita proteger o direito à informação do cidadão. Convém precisar quais seriam suas atribuições e seu campo de ação. No Paraguai, o presidente Lugo criou a primeira agencia nacional de imprensa como contraponto aos meios privados.

Estes fatos traduzem a inquietude dos governantes eleitos democraticamente, que recorrem seguidamente ao referendum popular, cuja política é, no entanto, posta em julgamento por um poder não eleito que extrai sua legitimidade de seu domínio nas esferas da informação. Estes grandes grupos de imprensa denunciam ataques à liberdade de expressão, recebendo freqüentemente o apoio de seus colegas europeus, quando se burla o direito a uma liberdade de expressão minimamente equilibrada que estes meios violam na ausência de qualquer organismo de regulamentação.

Todo-poderosos até hoje, os latifúndios da informação se encontram em oposição á vontade de governos desejosos de romper com sua hegemonia. Este aspecto de enfrentamento faz parte de uma luta muito mais ampla pelo pluralismo da informação e por uma verdadeira democratização da sociedade.
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Original em L'Humanité

12 agosto 2009

Calourada 2009.2

A UFSC voltou as aulas, mesmo com a epidemia de gripe suína. Mas esse não é oassunto em quero tocar. O DCE assim como no primeiro semestre esta promovendo a Calourada 2009.2, que na primeira semana foi preenchida com atividades culturais e esportivas, sendo que esta semana o calendário tem prioridade para debates sobre questões nacionais, como a crise; a questão do pré-sal e a soberania nacional; e sobre o SUS.

Apesar de a Calourada ser uma recepção aos calouros, ela também é feita para todos os estudantes desta universidade. O principal ponto que levantamos com estes eventos é demonstrar para toda comunidade acadêmica que a Universidade não deve se restringir a sala de aula. O espaço da instituição proporciona a possibilidade de construirmos muitas outras atividades que também servem de formação. E é por isso que nesse momento temos cultura, espaços de integração, espaços para discussão e debate de assuntos pertinentes a nossa sociedade, pois como já falei em outros posts, a formação educacional não deve se restringir ao conteúdo das ementas.

Queria chamar atenção para um dos eventos da Calourada em que eu ajudei na sua construção, o Tour Histórico. Na Quarta-feira passada levamos algumas turmas de calouros num passeio para conhecer a UFSC e foi muito legal, pois a maioria das pessoas passam pela Universidade sem a conhecer a História desta. Nosso campus é cheio dos monumentos históricos e quase ninguém sabe o por quê eles estão ali. Se eu conseguir organizar, esquematizo a Tour num texto para o Blog.

Para quem sentiu saudades, voltei a escrever... hehe