18 março 2010

PNDH3 E OS LIMITES DA ESQUERDA GOVERNISTA

Nesta última segunda-feira, o DCE da UFSC, promoveu uma conferência com o Ministro Paulo Vannuchi sobre o PNDH-3. A partir de algumas discussões feitas antes e depois da conferência, um mebro do DCE escreveu um texto sobre os limites do Plano que gostaria de compartilhar.

O original esta no site do DCE.

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PNDH3 E OS LIMITES DA ESQUERDA GOVERNISTA




Vitor Hugo Tonin
Graduando em Economia na UFSC
Colaborador da Gestão Canto Geral DCE-Luis Travassos
Membro do Coletivo 21 de Junho


O Diretório Central dos Estudantes - Luis Travassos realizou nesta segunda-feira (15/03) uma importante atividade na Universidade Federal de Santa Catarina: uma conferência com o Secretário Especial dos Direitos Humanos sobre o polêmico PNDH3. O 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos foi o responsável por um dos principais rachas do governo Lula. Algo muito superior aos intermitentes conflitos entre o Ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central em torno das taxas de juros. Ministros contrários ao plano como Reinhold Stephanes, da Agricultura e Nelson Jobin da Defesa, além de praticamente todas as Forças Armadas, da grande mídia e de setores da igreja saíram criticando publicamente o plano, e mais: a ameaçar (publicamente!) dedemissão caso o texto não fosse alterado. Por outro lado, o Secretário Especial Paulo Vanuchi respondeu na mesma moeda e ameaçou publicamente de demissão caso o texto do decreto fosse alterado. Como bom negociador patronal, no decreto o Presidente Lula recuou.

Cheguei à conferência atrasado por causa da aula, mas ansioso para ver como um ministro que havia colocado seu cargo à disposição (coisa rara hoje em dia) estava fazendo a disputa política pelo plano após o recuo do Lula. Vi o final da apresentação e o primeiro (e único) bloco de perguntas respondido pelo ministro. O tom insosso predominou durante toda a conferência. Não se alterou sequer com a pergunta do “representante” do jornal Estado de SP (que chamou o ministro de assassino e ditador comunista) muito menos com a pergunta do “representante” da Folha de SP (que utilizou o argumento do "vamos olhar pra frente"). O ministro, como bom cristão, limitou-se a uma lição de moral no primeiro que fazia caretas enquanto lhe respondia.

Ao sair da conferência após o abrupto termino pedido pelo ministro, os sentimentos eram diversos: havia os que haviam gostado da primeira pergunta, os que se indignaram com ela, e os que se indignaram com o ministro. Peraí?! Com o ministro? Mas por quê? Não é ele o defensor dos direitos humanos que foi superdemocrático até com uma pergunta direitosa daquelas? Mas afinal qual é o motivo? Trata-se do seguinte: por que um ministro especial dos direitos humanos no Brasil, um país cujo desenvolvimento do capitalista está assentado no ataque sistemático ao que hoje se chama "direitos humanos" insiste em querer fazer justiça convencendo as classe (ou frações) da classe dominante brasileira?

Do colonialismo à monarquia. Da proclamação da República ao golpe militar de 1964. Da "abertura lenta, gradual e segura" à primeira década século XXI o desenvolvimento agrário, industrial e bancário, a igreja, e os meios de comunicação, ou seja, toda a formação sócio-econômica brasileira está assentada na violação dos direitos humanos. No trabalho escravo, na superexploração da força de trabalho que se manifesta nas jornadas duplas e na informalidade, na diferenciação sexista e racista dos salários, ou na utilização de força policial militar de combate na repressão dos movimentos sociais e na contenção dos bolsões de pobreza - simbolizado pelo caveirão carioca. Para quem achar que estou exagerando, basta uma consulta rápida na internet que irão localizar coisas como esta:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091026/not_imp456279,0.php

Acreditar que virá de um "governo de coalizão", (espero que ninguém entenda este adjetivo como se referindo aos setores populares da nossa sociedade: é uma coalizão com a classe dominante brasileira) como o concebe o próprio ministro, a aprovação do plano é no mínimo ser utópico. Mas ninguém aqui vai tratar o ministro de maneira minimalista. Um militante do PT por décadas conhece muito bem os nossos quinhentos anos de história. Conhece e sabe muito bem como age a classe dominante brasileira e com certeza não acorda após delirar em sonho com uma aprovação do PNDH3 pelo congresso brasileiro.

Quer dizer que estou chamando o ministro de falsário? De enganador, que fica nos distraindo com esses debates que ao fim não vão levar a nada? Não, não é isso que quero dizer. É preciso fugir dos moralismos.

O ministro, assim como outros setores de esquerda que compõe o governo, é resultado de 30 anos de repressão política e de uma transição conservadora à democracia. Mais que isso é expressão da derrota de uma tática política (a luta armada). Acreditam no sistema democrático brasileiro que por fim ajudaram a construir e acham que não há outra saída, exceto “disputar internamente”. É aqui que se encontra o erro. Mas a solução não está longe, nem distante. É simples: proposta polêmica? Setores de um admitido “governo de coalizão” em conflito sobre o PNDH3? O que fazer? Ora, como em toda democracia, o demo (do grego, por favor não confundam!) resolve: submeta-se ao povo brasileiro através de um plebiscito. Ora! Conflito na plutocracia sobre um tema que trata diretamente das condições de vida do nosso povo? Por que os setores progressistas, o próprio ministro, o presidente Lula, não vão à imprensa fazer campanha, como fazem pelo PAC, para resgatar o legítimo direito do povo decidir sobre seu destino?

O radicalismo democrático (ou democracia participativa) é a formula, já testada inclusive, que os verdadeiros governos progressistas e democráticos da América Latina encontraram para enfrentar suas elites e construir uma nação soberana. O fato de nenhum ministro, nenhum setor do governo ou partido da coalizão levantar esta possibilidade, mesmo num assunto tão caro à esquerda governista, ajuda a nos demonstrar até onde alcança a linha “progressista” do governo brasileiro.
Link

14 janeiro 2010

PNDH 3


O Plano Nacional de Direitos Humanos tem causado muita polêmica nesse início de ano, não era para ser diferente, afinal ele bate de frente com vários setores da elite brasileira: os latifundiarios, militares, grandes grupos midiáticos e por ai vai.

A mídia tem acusado o plano de ser anti-democratico, contra a constituição, alguns chegando ao ponto de dizer que se esse plano for implantado o Brasil entraria numa ditadura de esquerda. O caso mais debatido entre os blogueiros foi o caso de Boris Casoy, ex-integrante do CCC (Comite Caça Comunistas) do regime militar.

O PNDH é fruto de várias conferencias e discussões ao longo dos dois ultimos anos com diversos movimentos sociais e gurpos da sociedade.

Bom pra não cair no discurso da Veja, do Boris Casoy, ou da Globo, vou disponibilizar vários artigos sobre o tema que busquei em diversos blogs na internet. Espero que ajudem no debate:










Deve haver mais textos, mas por enquanto é isso que eu achei. Alguns dos títulos que estão nos links fui eu quem colocou, para saberem o que vão encontrar nos artigos. Para quem não esta afim de ler tudo e não esta muito por dentro do assunto, eu indico a leitura do último link, que tem um texto de Marcelo Salles (Coordenador da Caros Amigos do RJ). Ele dá um parâmetro geral do PNDH 3 e dos ataques que ele vem sofrendo de forma bem resumida.

Eu ainda não tenho uma posição muito clara de quanto esse Plano é bom, mas já sei que não é nada disso que estão pintando por aí em editoriais de jornais e reportagens de tele-jornais.

09 janeiro 2010

Dia do Fico

Em 9 de Janeiro de 1822 D. Pedro de Alcantara disse"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". José Bonifácio de Andrade, membro do governo provisório que foi instaurado após a saída da corte portuguesa do Brasil, coletou assinaturas com a elite local para que o Brasil não voltasse a ser colônia portuguesa e as entregou a D. Pedro.

Esse dia ficou conhecido como dia do Fico e é marcado na História brasileira como um primeiro passo de D. Pedro a proclamação da independência 8 meses depois.

Analisando melhor a conjuntura nos deparamos com alguns fatos que me fazem colocar novamente a palavra "independencia" entre aspas. D. Pedro era herdeiro do trono português e como já falei em um post anterior, proclamou a independencia do Brasil. No mínimo isso soa estranho! Enquanto em outros países da América Latina o fim do período colonial foi conquistado na luta, com a participação do povo, no Brasil isso foi engendrado pela elite latifundiaria, com participação da maçonaria, onde o interesse estava apenas na questão financeira, já que o Brasil livre de Portugal poderia entrar no dito livre comércio. Isto deixou o Brasil nas mãos de outros "colonizadores", ingleses tornaram o Brasil seu quintal, fazendo com que este país produzisse os produtos primários necessários para seu desenvolvimento industrial, assim como fizeram com países africanos e asiáticos. Para quem se interessa por cinema, indico o filme "Queimada" que entre outras coisas, trata da participação inglesa nas independências da América Latina.

Nos anos que se seguiram alguns conflitos aconteceram, principalmente no Norte e Nordeste do país, financiados por Portugal alguns fazendeiros destas regiões se levantaram contra a independência, do outro lado D. Pedro era financiado pela Inglaterra para derrotar estes levantes.

Então quer dizer que o Brasil não é independente por que o povo não pegou em armas? Por quequem proclamou nossa indepêndencia foi um português?

Não! O Brasil não se tornou independente naquele momento e ainda é dependente por vários motivos. Só estou tentando mostrar como a história de nosso país demonstra nossa situação de país colonizado. Comecei a ler "Povo Brasileiro" de Darcy Ribeiro, que segundo o próprio autor foi uma pesquisa para entender por que o Brasil não deu certo. Quem sabe quando eu acabar de lê-lo possa aprofundar mais este tema, mas por enquanto fica isto para pensarmos um pouco.

05 janeiro 2010

Lixo na virada em Jurerê!!!!

Minha virada de ano foi maravilhosa, acho que a melhor que já tive. Estava na praia de Jurerê, junto com meus amigos de Concórdia, a colonada toda reunida para ter um ano novo inesquecível.

Tudo ótimo até certo ponto! Eram umas três da manhã (ou algo assim) e a praia tinha tanta gente, quanto lixo espalhado pelo chão, eram latas de cerveja, garrafas de champagne, bitucas de cigarro e diversas outras coisas. A maré ia subindo e levava o lixo para o mar.

Nós tínhamos nosso saco de lixo, no qual ficou lotado de latas de cerveja. Deplorável, a Prefeitura de Florianopólis divulgou que a Comcap, orgão responsável pela limpeza da ilha, recolheu só no dia 1 de Janeiro, 60 toneladas de lixo.

Vivemos em uma ilha super lotada, onde falta tratamento de esgoto para grande parte das residências, não se tem nem lugar para colocar o lixo. Grande parte dessa culpa é dos governantes, empresas responsáveis pela poluição do meio ambiente entre outras coisas. Porém isso não significa que a população em geral não deva se preocupar com a qualidade do meio em que vive, incluindo sua limpeza. Como que cara uma pessoa que deixou latas de cerveja, garrafas de champagne, restos de comida, entre outras coisas na praia tem de exigir algo dos responsáveis com relação a poluição da ilha (Não que não deva exigir do mesmo jeito!).

Começar com pequenas atitudes, é dar o exemplo, partindo de pequenas causas se muda muita coisa.

Dia de festa, alegria, confraternização, deveria ser um dia também para se olhar para nosso redor, parar para ver como estão as pessoas e o ambiente em que vivemos.

23 dezembro 2009

Bom, já não escrevia no blog a muito tempo, mas como entrei em férias agora tenho mais tempo livre para escrever. Estava com saudades de poder escrever com liberdade, escrever aquilo que me viesse a cabeça, algo que não fosse um trabalho acadêmico, nem um texto para panfleto, site ou discurso do DCE.
Na verdade tinha até esquecido como escrever sem compromisso pode ser bom. Ainda estou sem um tema especifico para escrever, mas espero ter alguma idéia para os próximos dias.

Boas Festas a todos!!!!

21 setembro 2009

O Esporte na Universidade


Como anda o esporte na UFSC? Quem pratica?


O esporte é esquecido e tido como secundário na vida universitária. Tentando dar um primeiro passo para mudança desta conjuntura, a Coordenação de Esportes do DCE - Luis Travassos chama toda a comunidade acadêmica para o Debate: Esporte na Universidade. O intuito é de debater sobre a estrutura universitária para a prática desportiva, assim como a cultura universitária que marginaliza o esporte na UFSC. Para assim apontar algumas formas de reavivar o esporte como parte integrante da formação de qualquer individuo como ser histórico e social.


Dia 23/09 (Quarta-feira)

Local: Auditório do CDS

Horário: 18:30


Convidados:


- Paulo Capela - Professor do Departamento de Educação Física da UFSC;

- Manuel Rebelo - Presidente da Federação Catarinense de Desporto Universitário (FCDU);

- Nilson Ouriques - Professor de Educação Física da Unoesc/Joaçaba, Mestre em Sociologia Política pela UFSC;

- Paulo Macedo - Representante da Coordenadoria do Apoio ao Esporte da UFSC, Responsável por eventos esportivos na Universidade.


DCE - Luis Travassos

Gestão Boas Novas 2008-2009

www.dce.ufsc.br

contato.boasnovas@gmail.com

09 setembro 2009

Dia da independência!

No dia 07 de setembro se comemorou mais uma vez o dia da independência. Que hipocrisia! O mais engraçado é que desde o ensino fundamental se aprende que um certo português, com o mesmo nome deste que os escreve, num belo dia, às margens do rio Ipiranga declarou a independência do Brasil com relação a sua metrópole, Portugal.

Agora, avaliamos a situação incoerente: um português, que por sinal era herdeiro do trono de Portugal declara a independencia brasileira?!?! Não houve nenhum tipo de mobilização, nenhum conflito, o povo mal sabia o que estava acontecendo, quanto mais tinha alguma participação naquilo. Mesmo assim comemoramos o dia da Independência.

Digo mais, a independência que o Brasil tem desde aquela data até os dias de hoje é questionável. Afinal somos dependentes economicamente, tecnologicamente e até na ideologia. No campo das idéias importamos da Europa, dos Estados Unidos e demais países, mas não criamos nosso pensamento a partir de nosso contexto, de nossa realidade, de nossa cultura e história.

Dia da Independencia! HIPOCRISIA!

P.S.: Estou de mau-humor